- a16z vê criptomoedas além de novas blockchains
- Infraestrutura define vantagem competitiva cripto em 2026
- Mercados, computação e mídia ganham protagonismo
A a16z crypto, divisão de criptomoedas da Andreessen Horowitz, avalia que a próxima fase do setor será marcada menos pelo lançamento de novas blockchains e mais pela capacidade da tecnologia de influenciar mercados, infraestrutura de computação e mídia digital. A leitura faz parte da tese da empresa para 2026, que prioriza utilidade prática e integração com sistemas existentes.
Segundo a gestora, ferramentas nativas de criptomoedas estão avançando para áreas além das finanças descentralizadas. O movimento é impulsionado por melhorias em criptografia, inteligência artificial e design de mercado, permitindo que blockchains funcionem como infraestrutura de base, e não apenas como ambientes isolados para aplicações financeiras.
Um dos destaques do relatório são os mercados de previsão, que devem ganhar escala e sofisticação ao longo de 2026. A combinação entre criptos e inteligência artificial tende a ampliar o alcance desses mercados, que já deixaram de ser experimentos restritos para se tornarem fontes relevantes de informação agregada.
Para a a16z, o próximo passo envolve aprimorar os mecanismos de resolução de disputas, especialmente em eventos políticos e geopolíticos. Modelos centralizados enfrentam limitações à medida que o volume cresce, abrindo espaço para estruturas descentralizadas e para o uso de oráculos com apoio de inteligência artificial, capazes de oferecer resultados mais transparentes.
Outro eixo apontado é a expansão das provas criptográficas para fora do blockchain. Avanços em máquinas virtuais de conhecimento zero vêm reduzindo de forma significativa o custo de geração dessas provas, tornando viável a computação verificável em ambientes de nuvem e, gradualmente, em dispositivos de consumo.
Esse avanço pode destravar aplicações discutidas há anos, como a computação em nuvem verificável. Nesse modelo, empresas conseguem garantias criptográficas de que cálculos foram executados corretamente, sem a necessidade de refazê-los internamente, aumentando eficiência e confiança nos sistemas digitais.
O relatório também aborda a ascensão da chamada “mídia com staking”. Nesse formato, criadores e analistas utilizam ativos tokenizados, bloqueios programáveis e registros on-chain para assumir compromissos públicos verificáveis, alinhando incentivos entre quem produz conteúdo e quem consome informação.
Com a disseminação de conteúdo gerado por inteligência artificial e a redução dos custos de produção, a a16z vê nesses compromissos criptográficos um novo sinal de credibilidade. A proposta não substitui o jornalismo tradicional, mas adiciona transparência ao permitir que reputação e capital fiquem expostos de forma auditável.
Essa visão se conecta a previsões anteriores da a16z crypto, que apontam a infraestrutura e a privacidade como fatores centrais para a competitividade das redes de criptomoedas nos próximos anos, deslocando o foco do setor para aplicações concretas e mensuráveis.














