- JPMorgan vê risco de novas vendas de Bitcoin
- Strategy pode reforçar reservas em dólares
- Bitcoin segue no foco da Strategy em 2026
A Strategy, empresa de Michael Saylor conhecida por sua estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin, pode precisar reconstruir suas reservas em dólares para recuperar a confiança dos investidores e reduzir as preocupações sobre futuras vendas da criptomoeda. A avaliação foi feita por analistas do JPMorgan, que passaram a adotar uma visão mais cautelosa para o mercado de criptomoedas.
De acordo com o banco, a recente venda de 32 bitcoins pela companhia gerou preocupação entre investidores, mesmo sendo uma operação considerada simbólica. A transação foi interpretada como uma demonstração de flexibilidade da empresa diante dos detentores de ações preferenciais, mas também levantou dúvidas sobre a necessidade de liquidação de ativos digitais para honrar compromissos financeiros.
Os analistas liderados por Nikolaos Panigirtzoglou afirmaram que as reservas em dólares da Strategy atualmente seriam suficientes para cobrir apenas cerca de 6,3 meses de pagamentos de dividendos. Esse nível de cobertura é visto como limitado para uma empresa que possui obrigações significativas relacionadas às suas ações preferenciais e dívidas.
“Em nossa opinião, uma reconstrução das reservas em dólares da empresa pode ser necessária para restaurar a confiança e reduzir as preocupações dos investidores de que a companhia venderia mais bitcoins para cobrir pagamentos de dividendos”, escreveram os analistas.
A preocupação ganha relevância porque, em dezembro, a Strategy criou uma reserva de US$ 1,44 bilhão em dólares para garantir o pagamento de dividendos de suas ações preferenciais e atender despesas relacionadas aos juros de dívidas em circulação.
Mesmo diante desse cenário, Michael Saylor demonstrou que continua otimista em relação ao Bitcoin. Em uma publicação na rede social X, o executivo escreveu: “Um bom momento para adicionar mais pontos.”
Atualmente, a Strategy detém 843.706 bitcoins adquiridos a um preço médio de US$ 75.699 por unidade. Considerando as cotações atuais, a posição representa uma perda não realizada de aproximadamente US$ 11,5 bilhões.
Apesar das preocupações com as reservas de caixa, o JPMorgan acredita que a empresa continuará ampliando suas compras de Bitcoin. Caso o ritmo registrado desde o início do ano seja mantido, a instituição estima aquisições próximas de US$ 32 bilhões em 2026, acima dos cerca de US$ 22 bilhões observados em 2024 e 2025.
Além das questões relacionadas à Strategy, os analistas reduziram suas expectativas para o setor de criptomoedas. O banco agora estima menos de 50% de chance de aprovação da Clarity Act ainda este ano nos Estados Unidos. A legislação é considerada importante para definir regras mais claras para o mercado e ampliar a participação institucional.
O relatório também aponta enfraquecimento dos fluxos de capital destinados às criptomoedas. Segundo o JPMorgan, as entradas totais somam aproximadamente US$ 22 bilhões em 2026 até o momento. Em ritmo anualizado, isso representaria cerca de US$ 52 bilhões, praticamente metade do volume registrado em 2025.
Mesmo com a postura mais cautelosa, os analistas destacaram que o sentimento negativo atual pode acabar se transformando em um “sinal contrário de alta para o futuro”. Segundo o banco, uma melhora mais consistente no segundo semestre dependerá tanto da capacidade da Strategy de esclarecer como pretende cumprir pagamentos anuais de dividendos de US$ 1,7 bilhão quanto do avanço da legislação para o setor nos Estados Unidos.
O JPMorgan também observou que Ethereum e outras altcoins dificilmente superarão o desempenho do Bitcoin de forma relevante sem crescimento mais forte da atividade em suas redes e maior adoção de aplicações no mundo real. O banco acrescentou que riscos de segurança e limitações de crescimento continuam reduzindo o interesse institucional por projetos de finanças descentralizadas.












