- Fundos de criptomoedas priorizam fundamentos e receita real
- Altcoins perdem espaço para estratégias seletivas
- Investidores institucionais ampliam foco em tokenização
O mercado de criptomoedas segue desafiador para fundos de liquidez e hedge funds em 2026, mas gestores e analistas observam uma transformação importante na forma como o capital está sendo distribuído. Em vez de uma valorização ampla dos ativos digitais, o período atual tem favorecido estratégias mais seletivas e projetos que apresentam resultados concretos.
Enquanto o Bitcoin permanece distante das máximas registradas em outubro e indicadores como contratos futuros perpétuos e atividade DeFi mostram desaceleração, muitos participantes do setor acreditam que o mercado está passando por uma fase de amadurecimento. Nesse ambiente, a diferença entre os fundos de melhor desempenho e aqueles que enfrentam dificuldades tem aumentado de forma significativa.
Segundo diversos gestores, a seleção de ativos tornou-se um dos principais fatores de sucesso. A exposição passiva às principais criptomoedas não entregou os mesmos resultados observados em ciclos anteriores. Em contrapartida, posições concentradas em projetos específicos, como Hyperliquid, Morpho e Zcash, contribuíram para resultados mais expressivos em algumas carteiras.
Ryan Watkins, cofundador da Syncracy Capital, destacou esse movimento ao afirmar: “Não posso compartilhar nossos retornos, mas tem sido um ótimo ano para nós até agora”. A avaliação é compartilhada por outros gestores que enxergam um mercado mais focado em fundamentos do que em narrativas especulativas.
Essa mudança também afeta diretamente o mercado de altcoins. Analistas observam que projetos capazes de demonstrar produtos funcionais, geração de receita e crescimento de usuários continuam atraindo investimentos, enquanto iniciativas sem métricas consistentes enfrentam maior dificuldade para captar recursos.
“Este é um momento de amadurecimento para as criptomoedas”, disse Amir Hajian, pesquisador da Keyrock. De acordo com ele, o mercado está realizando uma espécie de filtragem natural, favorecendo empresas e protocolos com fundamentos mais sólidos.
Os números recentes reforçam essa percepção. Dados analisados por Hajian indicam que aproximadamente 85% dos tokens lançados em 2025 estão atualmente abaixo de seus preços iniciais de negociação. Além disso, todos os ativos lançados com avaliação totalmente diluída superior a US$ 1 bilhão registraram desvalorização desde a estreia.
O comportamento dos investidores institucionais também vem mudando. Andy Martinez, fundador e CEO do Crypto Insights Group, afirma que os aportadores de capital realizam avaliações cada vez mais detalhadas antes de escolher um gestor.
“Os investidores não estão mais avaliando apenas fundos de hedge. Eles estão avaliando contas administradas separadamente, curadores, cofres, produtos tokenizados e veículos passivos, todos competindo por capital dentro do mesmo ecossistema”, disse ele.
O interesse institucional permanece presente, especialmente em áreas relacionadas à tokenização e aos ativos do mundo real. Ao mesmo tempo, estratégias neutras ao mercado ganham espaço entre gestores que buscam reduzir a dependência da direção dos preços das criptomoedas.
Apesar desse interesse, a consolidação aparece como uma tendência crescente. Especialistas acreditam que fundos menores poderão enfrentar mais dificuldades para competir, especialmente diante da expansão dos ETFs e da busca dos investidores por estruturas mais eficientes. Com isso, o setor pode encerrar os próximos meses com menos participantes, porém com gestoras maiores concentrando uma parcela mais relevante do capital disponível.














