- Banco Central restringe criptomoedas em pagamentos internacionais
- Regras cambiais excluem criptos e stablecoins do sistema
- Brasil reforça controle sobre transferências internacionais com criptomoedas
O Banco Central do Brasil decidiu restringir o uso de criptomoedas em pagamentos internacionais regulamentados, ao atualizar as normas do regime cambial. A medida foi oficializada por meio da Resolução nº 561, publicada na quinta-feira, e altera diretamente a forma como transações transfronteiriças devem ser conduzidas dentro do sistema financeiro nacional.
Com a nova regra, transferências internacionais passam a exigir o uso de operações cambiais tradicionais ou contas em reais mantidas por instituições estrangeiras autorizadas. Na prática, isso exclui o uso de criptomoedas nesses fluxos específicos, alinhando as operações ao controle direto do sistema cambial brasileiro.
A decisão não representa uma proibição total das criptomoedas no país. O uso desses ativos continua permitido em outras situações, mas agora fora da estrutura regulada para pagamentos internacionais. A medida também abrange stablecoins, que vinham ganhando espaço significativo nas transações financeiras digitais no Brasil.
A mudança faz parte de um movimento mais amplo das autoridades para integrar completamente as transferências internacionais aos mecanismos de supervisão financeira. O objetivo é garantir maior rastreabilidade e controle sobre fluxos de capital que cruzam fronteiras, especialmente diante do crescimento do uso de criptomoedas nos últimos anos.
O avanço regulatório já vinha sendo desenhado desde 2025, quando o Banco Central passou a exigir autorização formal para empresas que operam com criptomoedas. Essas empresas foram classificadas em categorias como intermediários, custodiantes e corretores, e passaram a seguir regras semelhantes às do sistema financeiro tradicional, incluindo padrões de segurança, governança e prevenção à lavagem de dinheiro.
Além disso, o ambiente regulatório brasileiro tem passado por outras mudanças recentes. Autoridades suspenderam discussões sobre tributação específica para criptomoedas e também bloquearam plataformas de mercado de previsão, como parte de ações voltadas à proteção de investidores.
Mesmo com o aumento da supervisão, o Brasil mantém posição de destaque no cenário global. O país figura entre os maiores mercados de criptomoedas do mundo, impulsionado principalmente pelo uso crescente de stablecoins, que representam a maior parte das transações registradas no mercado doméstico.













