- MARA compra usina e amplia mineração de Bitcoin
- Energia própria vira vantagem para IA e data centers
- Demanda por energia cresce com inteligência artificial
A MARA Holdings, empresa listada em bolsa focada em infraestrutura de energia e computação, anunciou a aquisição de uma usina de gás natural em Ohio por US$ 1,5 bilhão. O movimento reforça a mudança estratégica das empresas de mineração de Bitcoin, que passam a integrar cada vez mais o setor energético.
O ativo adquirido é a Long Ridge Energy & Power, controlada pela FTAI Infrastructure, responsável por uma usina de 505 megawatts em Hannibal, Ohio. O acordo inclui cerca de US$ 785 milhões em dívidas assumidas, além de financiamento ponte do Barclays. A operação também abrange mais de 1.600 acres de terra, acesso ferroviário, recursos hídricos, conectividade de fibra e infraestrutura de fornecimento de combustível.
A expectativa é que a unidade gere aproximadamente US$ 144 milhões em EBITDA ajustado anual, com custos operacionais inferiores a US$ 15 por megawatt-hora. Com isso, a capacidade total de energia operada pela MARA deve crescer cerca de 65%, alcançando aproximadamente 2,2 gigawatts em diferentes mercados.
No local, a empresa já mantém um data center de 200 megawatts e afirma estar recebendo interesse de empresas de inteligência artificial e tecnologia. A construção de uma estrutura inicial voltada à IA está prevista para começar no primeiro semestre de 2027, com entrada em operação estimada para 2028.
Relatórios do Goldman Sachs indicam que a demanda por eletricidade em data centers pode crescer até 165% até 2030, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial. Esse aumento pressiona a oferta, elevando a ocupação e tornando a energia um recurso cada vez mais disputado.
“Power is the scarce input in AI and, with the planned addition of Long Ridge Energy, we are gaining control of a highly efficient, contracted energy platform that has a rare combination of large-scale power, land, water access, fuel supply and grid interconnection in a single location, assets that are increasingly difficult to replicate in today’s market,” afirmou Fred Thiel, CEO da MARA Holdings.
O plano da empresa é transformar o local em um campus de IA, integrando produção de energia e infraestrutura computacional. A estratégia acompanha uma tendência mais ampla: mineradores de Bitcoin estão diversificando receitas ao usar energia de forma flexível, seja para mineração, locação a empresas de tecnologia ou venda à rede elétrica.
Após vender 15.133 Bitcoin por cerca de US$ 1,1 bilhão recentemente, a MARA mantém uma reserva de 38.689 BTC, mas sinaliza uma transição gradual para o controle direto de ativos energéticos como prioridade estratégica.













