- Strategy suporta Bitcoin a US$ 8 mil
- Dívida de US$ 6 bilhões lastreada em BTC
- Liquidez define risco abaixo de US$ 8 mil
A Strategy (MicroStrategy) afirmou que conseguiria honrar integralmente sua dívida de US$ 6 bilhões mesmo que o Bitcoin despenque 88%, até a região de US$ 8.000. A companhia baseia essa projeção em suas reservas estimadas em US$ 49,3 bilhões, considerando o BTC cotado a US$ 69.000, além de vencimentos escalonados de notas conversíveis até 2032.
Dias após divulgar seus resultados financeiros, a empresa voltou a reforçar o cenário de estresse com o Bitcoin a US$ 8.000. “A estratégia pode suportar uma queda no preço do BTC para US$ 8.000 e ainda ter ativos suficientes para cobrir totalmente nossa dívida”, afirmou a empresa.
Nesse patamar, o valor das reservas em Bitcoin praticamente se igualaria à dívida líquida. O patrimônio líquido ficaria tecnicamente zerado, mas, segundo a administração, ainda seria possível cumprir os compromissos sem liquidar BTC no mercado.
O investidor Giannis Andreou explicou a lógica por trás do número: “Por que US$ 8.000?: Este é o preço em que o valor total de suas reservas de Bitcoin se igualaria aproximadamente à sua dívida líquida. Se o BTC permanecer em US$ 8.000 a longo prazo, suas reservas não seriam mais suficientes para cobrir suas obrigações financeiras em caso de liquidação”.
Strategy can withstand a drawdown in $BTC price to $8K and still have sufficient assets to fully cover our debt. pic.twitter.com/vrw4z4Ex9q
— Strategy (@Strategy) February 15, 2026
O CEO Phong Le ressaltou que uma queda extrema tenderia a ocorrer ao longo de anos, permitindo ajustes graduais. “No pior cenário possível, se tivéssemos uma queda de 90% no preço do Bitcoin para US$ 8.000, o que é bem difícil de imaginar, esse seria o ponto em que nossa reserva de BTC se igualaria à nossa dívida líquida e não conseguiríamos pagar nossos títulos conversíveis usando nossa reserva de Bitcoin. Nesse caso, teríamos que considerar uma reestruturação, emitir novas ações ou contrair novas dívidas. E lembrem-se: isso se estenderia pelos próximos cinco anos. Então, neste momento, não estou realmente preocupado, mesmo com quedas no preço do Bitcoin”, disse Le.
Abaixo de US$ 8.000, a pressão aumenta. Em torno de US$ 7.000, empréstimos garantidos por BTC poderiam violar cláusulas de LTV, exigindo reforço de garantias ou amortizações antecipadas. A Capitalist Exploits avaliou: “Em uma grave recessão de mercado, as reservas de caixa se esgotariam rapidamente sem acesso a novo capital. A relação empréstimo-valor ultrapassaria 140%, com o passivo total excedendo o valor dos ativos. O negócio de software da empresa gera aproximadamente US$ 500 milhões em receita anual — insuficiente para arcar com obrigações de dívida significativas de forma independente”.
Com o BTC a US$ 6.000, a insolvência passaria a ser concreta, elevando o risco para credores sem garantia. Já abaixo de US$ 5.000, credores garantidos poderiam forçar liquidações. Lark Davis pontuou: “Nada é impossível… A liquidação forçada só se tornaria um risco se a empresa não conseguisse mais honrar suas dívidas, e não apenas por causa da volatilidade”.
No centro do debate está a combinação entre velocidade de queda, estrutura de dívida e acesso à liquidez, fatores que podem acelerar ou aliviar o impacto sobre a Strategy em um ciclo extremo do Bitcoin.












