- Dark web usava criptomoedas para vender drogas ilegalmente
- Fundador do Incognito Market condenado nos EUA
- Justiça confisca milhões ligados a crimes com criptomoedas
A Justiça dos Estados Unidos condenou Rui-Siang Lin, apontado como criador do Incognito Market, a 30 anos de prisão por comandar um mercado de drogas na dark web que operava com criptomoedas. A sentença foi definida por um tribunal federal em Nova York.
De acordo com as autoridades, a plataforma facilitou a comercialização de entorpecentes para compradores ao redor do mundo entre outubro de 2020 e março de 2024. O volume total de vendas ultrapassou US$ 105 milhões em transações feitas com criptomoedas.
O juiz responsável pelo caso também determinou o confisco de US$ 105.045.109 e impôs cinco anos de liberdade supervisionada após o cumprimento da pena. Lin, que tinha 24 anos e utilizava o pseudônimo “Faraó”, havia se declarado culpado em dezembro de 2024.
Ele admitiu envolvimento em conspiração para tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e venda de medicamentos adulterados. Durante a audiência, a juíza Colleen McMahon afirmou que a atuação do réu o transformou em um “chefão do tráfico” e classificou o processo como um dos mais graves de sua carreira.
Os promotores detalharam que o Incognito Market operava um sistema interno chamado “Incognito Bank”. O mecanismo permitia que usuários depositassem criptomoedas em contas virtuais, que eram usadas para pagar vendedores após cada transação, com uma taxa de 5% retida pela plataforma.
Segundo a acusação, mais de 400 mil contas de compradores e cerca de 1.800 vendedores participaram do mercado ilegal. Ao todo, foram registradas mais de 640 mil transações envolvendo drogas como cocaína, metanfetamina, heroína, LSD, MDMA, cetamina e comprimidos vendidos como oxicodona.
Parte desses comprimidos, conforme os autos, continha fentanil. Os promotores associaram a atuação da plataforma a casos de overdose, incluindo a morte de um homem de 27 anos no Arkansas em 2022.
Após encerrar o site, Lin teria se apropriado de depósitos de usuários e tentado extorquir participantes, ameaçando divulgar históricos e endereços de criptomoedas. Em uma mensagem publicada na própria plataforma, ele reconheceu que a exigência se tratava de extorsão.
O caso integra uma série de ações recentes das autoridades americanas contra operações ilegais que utilizam criptomoedas na dark web, com apreensões de domínios, bloqueio de ativos digitais e condenações de operadores de serviços ilícitos.












