- Indicação de Warsh fortalece dólar e pressiona metais
- Ouro e prata sofrem vendas forçadas e chamadas de margem
- Mercados reavaliam risco após decisão do Federal Reserve
Os preços do ouro e da prata recuaram com força na sexta-feira após o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. O movimento foi interpretado por investidores como um sinal de menor interferência política na autoridade monetária, o que ajudou a sustentar o dólar e reduziu o apelo dos metais preciosos como proteção cambial.
No mercado à vista, a prata sofreu uma queda abrupta, sendo negociada próxima das mínimas do dia. Os contratos futuros do metal desabaram, registrando o pior desempenho diário desde 1980, em meio a liquidações aceleradas de posições alavancadas. O ouro também acompanhou o movimento, com recuo expressivo tanto no mercado à vista quanto nos futuros, após semanas operando em patamares elevados.
A pressão vendedora ganhou intensidade ao longo da tarde em Wall Street, quando investidores que vinham acumulando metais aproveitaram para realizar lucros. A alta do índice do dólar, que avançou cerca de 0,8%, encareceu o ouro e a prata para compradores estrangeiros e enfraqueceu a tese de que esses ativos poderiam substituir o dólar como reserva global no curto prazo.
“A situação está ficando insana”, disse Matt Maley, estrategista de ações da Miller Tabak. “Grande parte disso provavelmente se deve a ‘vendas forçadas’. A prata tem sido o ativo mais procurado por day traders e outros investidores de curto prazo recentemente. Portanto, houve um acúmulo de alavancagem no mercado de prata. Com a enorme queda de hoje, as chamadas de margem foram acionadas.”
Antes do anúncio oficial, o mercado vinha especulando diferentes nomes para a presidência do Fed. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, chegou a ser apontado como favorito, mas Warsh ganhou espaço nas apostas nos últimos dias. Em nota, Krishna Guha, da Evercore ISI, avaliou que o mercado estava “se comportando de forma agressiva em relação a Warsh”.
“A escolha de Warsh deve ajudar a estabilizar o dólar em certa medida e reduzir (embora não eliminar) o risco assimétrico de uma fraqueza profunda e prolongada da moeda americana”, afirmou Guha. “No entanto, desaconselhamos exagerar na postura agressiva de Warsh em todos os mercados de ativos.”
O movimento também teve reflexos em ações e ETFs ligados a metais preciosos, que registraram quedas históricas. Analistas apontam que o posicionamento excessivo ao longo de 2025 tornou o setor mais vulnerável a ajustes rápidos. Em paralelo, o mercado de criptomoedas operava de forma cautelosa, com investidores acompanhando o dólar e o Fed como fatores-chave para o comportamento de ativos como o bitcoin nas próximas semanas.












