- Senadores questionam DOJ sobre conflitos com criptomoedas
- Blanche teria mantido bitcoin e ether durante decisões
- Fiscalização de criptomoedas vira alvo de debate político
Seis senadores dos Estados Unidos enviaram uma carta ao vice-procurador-geral Todd W. Blanche solicitando esclarecimentos sobre possíveis conflitos de interesse ligados a decisões recentes envolvendo a fiscalização de criptomoedas. O grupo afirma que Blanche possuía participações relevantes em ativos digitais enquanto atuava em medidas que reduziram a atuação do Departamento de Justiça no setor.
O documento foi assinado por Elizabeth Warren, Mazie K. Hirono, Richard J. Durbin, Sheldon Whitehouse, Christopher A. Coons e Richard Blumenthal. Na carta, os parlamentares relembram questionamentos anteriores sobre a redução de esforços federais contra crimes com criptomoedas e apontam novas informações sobre os investimentos pessoais de Blanche na época das decisões.
“No ano passado, solicitamos a justificativa por trás de sua decisão desconcertante de reduzir os esforços do Departamento de Justiça em relação às criptomoedas e o instamos a reconsiderar”, dizia a carta.
“Escrevemos agora à luz de reportagens recentes que indicam que o senhor detinha quantias substanciais de criptomoedas na época em que tomou essa decisão… No mínimo, o senhor tinha um conflito de interesses flagrante e deveria ter se declarado impedido.”
Os senadores alegam que Blanche mantinha posições em bitcoin e ether avaliadas entre US$ 158 mil e US$ 470 mil quando publicou, em abril de 2025, o memorando intitulado “Fim da Regulamentação por Processos Judiciais”. O texto orientava promotores a evitarem processar corretoras, mixers e plataformas de criptomoedas por condutas de usuários, priorizando indivíduos diretamente envolvidos em atividades criminosas.
De acordo com os parlamentares, eles já haviam alertado que essa abordagem poderia abrir espaço para evasão de sanções, tráfico de drogas, golpes e exploração sexual de menores. A carta também afirma que houve aumento em diferentes modalidades de crimes envolvendo criptomoedas, incluindo operações associadas a redes chinesas de lavagem de dinheiro.
O cronograma descrito no documento indica que Blanche teria vendido ou transferido suas criptomoedas apenas entre maio e junho, após já ter prometido se desfazer dos ativos meses antes. Para os senadores, sua participação em decisões relacionadas ao setor enquanto mantinha investimentos pessoais “parece ter violado o artigo 208(a) do Título 18 do Código dos Estados Unidos”. “Violações dolosas dessa disposição são puníveis com até cinco anos de prisão”, afirmaram os senadores.
O Departamento de Justiça declarou recentemente que a questão envolvendo Blanche “foi devidamente sinalizada, tratada e resolvida com antecedência” e classificou as alegações como infundadas. Na nova carta, os senadores pedem detalhes sobre como o caso foi analisado internamente, incluindo registros de comunicações com autoridades de ética e eventuais autorizações formais.
O debate ocorre em meio a um ambiente político mais amplo, no qual parlamentares também levantaram preocupações sobre possíveis conflitos de interesse ligados a iniciativas de ativos digitais do atual presidente dos EUA, Donald Trump, e a indultos concedidos a figuras associadas a crimes com criptomoedas.












