- XRP pode virar ponte neutra em liquidação global pós-dólar.
- Dívida dos EUA e tokenização reprecificam XRP em escala estatal.
- Ouro, BRICS e desdolarização reforçam tese de infraestrutura XRP.
Um vídeo recente do analista de criptomoedas Edo Farina reacendeu uma tese que circula com força entre entusiastas do XRP: o token poderia deixar de ser visto como “apenas mais uma criptomoeda” e assumir um papel de infraestrutura silenciosa em um sistema financeiro mais tokenizado.
A discussão parte de um pano de fundo macro. Farina descreve o que chama de “a maior crise da dívida da história da humanidade”, argumentando que o modelo baseado em moeda fiduciária encontra limites para lidar com obrigações em escala dos EUA sem pressionar inflação ou exigir medidas impopulares, como aumento de impostos.
O ponto central, porém, não é uma “solução mágica”. A ideia apresentada é que a tokenização de instrumentos financeiros e a liquidação em blockchain mudariam o funcionamento dos fluxos, tornando possível liquidar grandes valores com menos fricção. Nesse desenho, o XRP atuaria como um ativo neutro de ponte, conectando moedas e ativos tokenizados, mais do que como meio de pagamento voltado ao consumidor.
Farina cita um trecho exibido na Newsmax, em que um palestrante especula sobre uma hipótese: o governo dos EUA destinar 1% da receita tributária anual — cerca de US$ 1 trilhão — para uma criptomoeda emergente como o XRP. Em contas aproximadas mostradas no vídeo, com o XRP a US$ 2,50 e capitalização estimada em US$ 144 bilhões, esse tipo de fluxo poderia elevar o valor do ativo “por um fator de oito”.
O analista reforça que não se trata de previsão, mas de uma forma de ilustrar como decisões estatais e fluxos institucionais poderiam reprecificar um ativo de liquidação neutro. Ele também menciona que o debate entre desvalorização de moeda fiduciária e alternativas físicas ou digitais “já está acontecendo em tempo real”, citando recordes do ouro e a perda de força do dólar ao longo do tempo.
Para sustentar o argumento, Farina recorre a declarações do Coronel Douglas Macgregor sobre uma “desdolarização” acelerada e a possibilidade de dois blocos financeiros. Um deles, alinhado aos BRICS — “Brasil, Rússia, Índia, China, Arábia Saudita” e possivelmente “até uma centena de nações-estado” — seguiria em direção a um modelo mais lastreado em ouro e menos dependente do dólar.
Nesse contexto, ele aponta caminhos de interseção entre ouro e XRP: ouro tokenizado emitido no XRP Ledger, ou estruturas em que o XRP teria mecanismos de garantia para sustentar uma paridade artificial. A lógica seria permitir liquidação rápida de valor ancorado em metais, com apelo extra para países sob sanções.
No fim, o vídeo não entrega cronogramas nem sinais políticos objetivos. A narrativa enquadra o XRP como aposta na infraestrutura de liquidação de uma ordem monetária em transição, influenciada por dívida, ouro e rearranjos geopolíticos.














