- Ethereum propõe nova árvore de estado binária
- Vitalik sugere substituir EVM por RISC-V
- Camada de execução busca eficiência em provas ZK
O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, apresentou um plano em duas frentes para transformar a camada de execução da rede. Em publicação recente, ele detalhou mudanças estruturais que considera essenciais para o futuro do protocolo, incluindo uma nova arquitetura para a árvore de estado e a substituição gradual da EVM (Máquina Virtual Ethereum).
Segundo Buterin, tanto a árvore de estado quanto a máquina virtual representam mais de 80% do gargalo nos processos de prova, especialmente em soluções que dependem de verificação no lado do cliente. Para ele, ajustes incrementais não são suficientes para resolver essas limitações técnicas.
“São mudanças ‘profundas’ das quais muitos se afastam, pensando que é mais ‘pragmático’ ser gradualista”, observou Buterin.
A primeira proposta gira em torno da EIP-7864, que sugere trocar a atual árvore Merkle Patricia baseada em Keccak por uma estrutura binária com função hash mais eficiente. O novo desenho promete ramificações Merkle até quatro vezes menores, reduzindo o consumo de dados por clientes leves como o Helios.
Além disso, a adoção de funções como Blake3 ou variantes do Poseidon pode elevar significativamente a eficiência das provas. Embora o Poseidon ainda demande análises adicionais de segurança, a expectativa é que a nova estrutura amplie a capacidade de processamento com menor custo computacional.
Now, execution layer changes. I've already talked about account abstraction, multidimensional gas, BALs, and ZK-EVMs.
I've also talked here about a short-term EVM upgrade that I think will be super-valuable: a vectorized math precompile (basically, do 32-bit or potentially…
— vitalik.eth (@VitalikButerin) March 1, 2026
A discussão sobre árvores binárias ganhou força após preocupações envolvendo vulnerabilidades quânticas em criptografia de curvas elípticas, que afetaram o interesse anterior nas árvores de Verkle. Agora, a proposta binária volta ao centro do debate técnico.
No segundo eixo da reformulação, Buterin reiterou a possibilidade de substituir a EVM pela arquitetura aberta RISC-V, amplamente utilizada por provedores de soluções ZK. O plano prevê três fases: introdução do RISC-V em pré-compilações, liberação para contratos nativos e, por fim, a conversão da EVM em um contrato inteligente executado na nova máquina virtual.
“A essência do Ethereum é a sua generalidade, e se a EVM não for boa o suficiente para atender às necessidades dessa generalidade, então devemos enfrentar o problema de frente e criar uma VM melhor”, escreveu Buterin.
A proposta, no entanto, enfrenta críticas. Pesquisadores da Offchain Labs defendem que o WebAssembly (WASM) seria mais adequado como formato de contrato inteligente no longo prazo, argumentando que a arquitetura ideal para execução não precisa coincidir com aquela otimizada para provas.
As mudanças são discutidas em paralelo ao cronograma de atualizações da rede, que inclui os hard forks Glamsterdam e Hegota previstos para 2026. Embora o EIP principal ainda não esteja definido, a reformulação da camada de execução já aparece como ponto estratégico para a evolução do Ethereum.












