- Vitalik Buterin alerta riscos à privacidade digital
- Lei da UE ameaça criptos e plataformas Web3
- Chat Control pode violar direitos de comunicação
O cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, manifestou-se contra a proposta de lei de Chat Control da União Europeia, afirmando que a medida representa uma séria ameaça à privacidade digital. A legislação em discussão prevê que plataformas de tecnologia escaneiem mensagens privadas em busca de conteúdos ilegais, o que na visão de Buterin compromete a segurança dos usuários.
Em publicação no X, Buterin destacou que a criação de brechas de vigilância para atender órgãos de segurança enfraquece os sistemas de criptografia ponta a ponta, tornando-os vulneráveis a ataques. Ele também chamou atenção para um ponto polêmico: de acordo com um rascunho vazado, ministros do interior, forças armadas, polícia e serviços de inteligência estariam isentos da aplicação dessas regras, o que expõe uma contradição por parte dos próprios formuladores da lei.
Fight Chat Control.
You cannot make society secure by making people insecure.
We all deserve privacy and security, without inevitably hackable backdoors, for our private communications.
The fact that the government officials want to exempt themselves from their own law is… https://t.co/OY5NXyk58j
— vitalik.eth (@VitalikButerin) September 27, 2025
Atualmente, 15 países da União Europeia apoiam a proposta, mas o projeto ainda não alcançou o requisito mínimo de 65% da população do bloco para aprovação. Nesse contexto, a posição da Alemanha será determinante para o futuro da legislação.
Especialistas ligados ao setor de criptomoedas também se posicionaram. Hans Rempel, CEO da Diode, ressaltou que a imposição da medida poderia aumentar os riscos de vazamento de dados governamentais, caso tais sistemas fossem comprometidos. Já Elisenda Fabrega, da Brickken, apontou que a proposta pode entrar em conflito com os artigos 7 e 8 da Carta da União Europeia, que garantem o direito à comunicação privada e à proteção de dados.
Segundo analistas, a adoção de uma legislação desse tipo poderia incentivar a migração de usuários para plataformas Web3, que oferecem soluções descentralizadas com foco em privacidade. Essa movimentação, no entanto, teria o potencial de fragmentar o mercado digital europeu e reduzir sua influência global no debate sobre proteção de dados.
A crítica de Buterin reacende a discussão sobre os limites entre segurança pública e direitos digitais em um momento em que governos buscam ampliar ferramentas de monitoramento sem comprometer a confiança dos cidadãos.














