- TruStage lança piloto de stablecoin para cooperativas
- TSDA terá lastro em dólar na proporção 1:1
- Projeto explora pagamentos e empréstimos via blockchain
A TruStage iniciou um programa piloto para testar uma stablecoin atrelada ao dólar, voltada exclusivamente para cooperativas de crédito dos Estados Unidos. A iniciativa representa um dos maiores testes coordenados do setor para avaliar o uso de infraestrutura baseada em blockchain em operações financeiras tradicionais.
Batizada de TSDA, a stablecoin será lastreada integralmente em dinheiro, mantendo paridade de 1:1 com o dólar. A emissão ocorrerá em parceria com a Block Time Financial, responsável pelo suporte operacional, incluindo protocolos de segurança e funcionalidades de contas digitais. Uma afiliada da própria TruStage atuará como emissora e administrará as reservas que garantem o valor do token.
O projeto piloto está previsto para ocorrer até o primeiro semestre de 2026. Durante esse período, a empresa busca recrutar cooperativas de crédito interessadas em testar diferentes aplicações da TSDA no dia a dia das instituições.
Entre os principais casos de uso estão a concessão e liquidação de empréstimos, transferências entre pessoas (P2P), pagamentos internacionais e movimentações financeiras entre cooperativas. A proposta é avaliar se a tecnologia pode reduzir custos operacionais, acelerar liquidações e ampliar a eficiência em operações que hoje dependem de sistemas bancários tradicionais.
Fundada em 1935, a TruStage atende aproximadamente 93% das cooperativas de crédito dos EUA, oferecendo soluções de seguros, investimentos e aposentadoria. Executivos da companhia afirmam que o interesse por stablecoins cresceu após a aprovação da GENIUS Act, que estabeleceu padrões federais para emissores desse tipo de ativo.
O ambiente regulatório mais definido tem incentivado instituições financeiras a explorar o uso de criptomoedas estáveis como alternativa para pagamentos e liquidações. Ao mesmo tempo, o Congresso dos EUA continua discutindo regras mais amplas para o mercado de ativos digitais.
Parte do setor bancário e de cooperativas acompanha o avanço com cautela. Algumas entidades manifestaram preocupação de que stablecoins com rendimento possam competir diretamente com depósitos tradicionais, alterando a dinâmica de captação de recursos.
O contexto macroeconômico também reforça o interesse pelo segmento. Analistas do Standard Chartered estimam que o mercado global de stablecoins pode atingir US$ 2 trilhões em valor até 2028. Esse crescimento tende a ampliar a demanda por títulos do Tesouro dos EUA, frequentemente utilizados como reserva para ativos digitais atrelados ao dólar.
Com o piloto da TSDA, o setor de cooperativas de crédito passa a integrar de forma mais direta os testes práticos de soluções baseadas em blockchain, em um movimento que aproxima a infraestrutura financeira tradicional do ecossistema de criptomoedas.














