- Trump rejeita proposta iraniana sobre guerra e sanções
- Estreito de Ormuz segue pressionando mercado global de petróleo
- Irã mantém impasse nuclear com EUA e Israel
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou neste domingo a mais recente contraproposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã. A resposta negativa elevou novamente a tensão geopolítica em torno do Estreito de Ormuz e ampliou preocupações sobre os impactos no petróleo e na economia global.
“Acabei de ler a resposta dos chamados “Representantes” do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!”, afirmou Trump em publicação na Truth Social.
Segundo informações divulgadas pela agência iraniana Tasnim, o Irã encaminhou aos negociadores americanos uma proposta por meio de mediadores do Paquistão. O documento defendia o fim das operações militares em todas as frentes e a suspensão das sanções aplicadas contra Teerã.
Entre as exigências iranianas estava a retirada temporária das restrições impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA sobre as exportações de petróleo iraniano durante 30 dias. O plano também previa o encerramento do bloqueio naval ao país.
A proposta ainda incluía condições relacionadas ao Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de parte relevante do petróleo mundial. Autoridades iranianas sugeriram assumir a gestão da região caso determinados compromissos fossem aceitos pelos EUA.
O governo iraniano também não aceitou integralmente as exigências americanas sobre o programa nuclear. Em vez disso, Teerã propôs negociações separadas para tratar do urânio altamente enriquecido, incluindo a possibilidade de diluir parte do material e enviar outra parcela para um terceiro país.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o conflito ainda está longe do fim.
“Ainda há material nuclear, urânio enriquecido, que precisa ser retirado do Irã”, declarou Netanyahu em entrevista gravada para o programa “60 Minutes”. “Ainda existem instalações de enriquecimento que precisam ser desmanteladas, ainda existem grupos apoiados pelo Irã, ainda existem mísseis balísticos que eles querem produzir… há trabalho a ser feito.”
Em meio às negociações, um navio-tanque de gás natural liquefeito operado pela QatarEnergy atravessou o Estreito de Ormuz pela primeira vez desde o início da guerra, seguindo em direção ao Paquistão.
Outro cargueiro com destino ao Brasil também conseguiu cruzar a região utilizando uma rota autorizada pelas forças iranianas. A movimentação trouxe algum alívio ao mercado energético, mas os riscos seguem elevados.
Nos últimos dias, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait relataram interceptações de drones e episódios envolvendo embarcações próximas ao estreito. Parlamentares iranianos também discutem um projeto para formalizar o controle do tráfego marítimo na região e restringir navios de países considerados hostis.
A escalada ocorre poucos dias antes da viagem de Trump à China, aumentando a pressão diplomática para uma solução rápida que reduza os impactos econômicos e a instabilidade no mercado internacional de petróleo.












