- Tokens de camada 1 sofrem pressão estrutural em 2025
- Bitcoin amplia domínio enquanto usuários migram de redes
- Tokenomics frágeis aceleram queda de altcoins
Os tokens de blockchain de camada 1 enfrentaram um ano difícil em 2025, com quedas expressivas de preço e retração na base de usuários, enquanto o Bitcoin manteve força relativa e ampliou seu domínio de mercado. A avaliação faz parte de um relatório de fim de ano da OAK Research, que aponta mudanças relevantes no comportamento dos investidores e no uso das redes.
Segundo o estudo, a pressão sobre as altcoins de camada 1 expôs fragilidades estruturais, especialmente em projetos que não conseguiram demonstrar geração de valor econômico consistente. O mercado passou a penalizar protocolos com uso limitado, mesmo aqueles que mantiveram atividade técnica e desenvolvimento contínuo.
As métricas de uso reforçam esse movimento. O número total de usuários ativos mensais caiu mais de 25% entre as principais blockchains analisadas. A Solana registrou a maior retração, com a perda de cerca de 94 milhões de usuários, representando uma redução superior a 60%. Em sentido oposto, a BNB Chain quase triplicou sua base, atraindo usuários que migraram de outras redes em busca de custos mais baixos e maior previsibilidade operacional.
No segmento de camada 2, o cenário também foi desigual. A Base se destacou pelo crescimento do Valor Total Bloqueado (TVL), impulsionada pela distribuição via Coinbase. Já o Optimism enfrentou uma contração relevante de capital, à medida que recursos foram redirecionados para soluções concorrentes. Outros tokens, como zkSync Era, Polygon e Arbitrum, encerraram o ano com perdas significativas, apesar de avanços técnicos.
O relatório identificou três fatores centrais para o desempenho negativo: tokenomics excessivamente alavancadas, com cronogramas constantes de desbloqueio; ausência de mecanismos eficientes de captura de valor que conectem o uso da rede à demanda pelo token; e a preferência institucional por Bitcoin e Ethereum em detrimento de ativos de menor capitalização.
Mesmo com a desvalorização dos tokens, a atividade dos desenvolvedores permaneceu sólida em alguns ecossistemas. Dados citados da Electric Capital mostram que a arquitetura EVM segue liderando em número de desenvolvedores, enquanto o Bitcoin apresentou o maior crescimento de profissionais em tempo integral nos últimos dois anos. Solana e o ecossistema SVM também mantiveram expansão técnica contínua.
Em termos de receita, emissores de stablecoins e plataformas de derivativos dominaram o cenário. Tether e Circle concentraram grande parte da renda anual do setor, enquanto redes genéricas de camada 1 e camada 2, sem diferenciação clara, perderam relevância. A perspectiva para 2026 sugere consolidação, com maior concentração de capital em protocolos capazes de demonstrar utilidade econômica real e modelos sustentáveis de geração de receita.












