- Telegram bloqueia milhões de canais em 2026
- Rússia pode banir aplicativo em 1º de abril
- Usuários recorrem a VPNs e apps alternativos
O Telegram intensificou o bloqueio de canais e grupos em meio à crescente pressão regulatória na Rússia. Segundo dados divulgados pela agência estatal TASS, apenas nos dias 15 e 16 de fevereiro a plataforma removeu, respectivamente, 238,8 mil e 187,3 mil canais em todo o mundo.
Com isso, o total de grupos e canais bloqueados desde 1º de janeiro ultrapassou 7,463 milhões. O movimento ocorre enquanto autoridades russas avaliam a possibilidade de suspender completamente o funcionamento do aplicativo a partir de 1º de abril.
Andrey Svintsov, vice-presidente do Comitê de Política de Informação da Duma Estatal, afirmou que a empresa começou a responder às exigências locais.
“Na última semana, o Telegram bloqueou mais de 230 mil canais e conteúdos que violavam a legislação vigente”, declarou. “Isso indica que a empresa de Durov começou a interagir de forma mais ativa.”
O deputado acrescentou que, em sua avaliação, a plataforma ainda tem tempo para se adequar às normas impostas pela Roskomnadzor. “Na minha opinião, o Telegram não será bloqueado antes de 1º de abril”, disse, mencionando o fundador e CEO do aplicativo, Pavel Durov.
Entre as exigências regulatórias estão a abertura de uma pessoa jurídica no país, armazenamento de dados de usuários em território russo, pagamento de tributos e remoção de conteúdos considerados proibidos. “A abertura de uma pessoa jurídica leva, no máximo, uma semana. A transferência do processamento de dados pessoais leva mais duas ou três semanas”, afirmou Svintsov.
Enquanto isso, a Rússia já adotou medidas mais duras contra o WhatsApp, removendo seus domínios do DNS e bloqueando completamente o acesso. Usuários foram direcionados ao aplicativo estatal Max, em um movimento que reforça o controle sobre comunicações digitais.
Relatos indicam que muitos cidadãos têm recorrido a VPNs e a aplicativos alternativos, como o imo, para manter acesso às mensagens. O Telegram, que ocupa a segunda posição entre os mensageiros mais usados no país, tornou-se peça central nesse embate regulatório.
Além das implicações políticas, a possível restrição também pode impactar comunidades ligadas a criptomoedas, que utilizam amplamente a plataforma para negociações, anúncios de projetos e organização de grupos relacionados ao mercado cripto.














