- Taiwan mantém 210 BTC sob custódia estatal
- Bitcoin entra no debate sobre reserva estratégica
- Regras para stablecoins avançam até 2026
O governo de Taiwan revelou que o Ministério da Justiça mantém sob custódia 210,45 BTC apreendidos em investigações criminais, trazendo o Bitcoin para o centro de um debate político mais amplo sobre reservas estratégicas e política financeira. Os ativos permanecem classificados como produto de crime e seguem sob controle estatal enquanto autoridades avaliam os próximos passos.
Funcionários indicaram que ainda não há decisão definitiva sobre a destinação desses bitcoins. Entre as alternativas consideradas está a realização de leilões públicos, com os recursos revertidos ao Tesouro. Caso fossem contabilizados como reserva governamental, os dados de mercado indicam que Taiwan poderia figurar entre os dez maiores detentores estatais de Bitcoin no mundo.
O Bitcoin representa apenas uma parte do portfólio apreendido. Registros oficiais mostram que o total de criptomoedas sob custódia do Ministério da Justiça soma cerca de NT$ 1,3 bilhão, considerando os preços na data da divulgação. A maior fatia corresponde a stablecoins atreladas ao dólar americano.
Além das stablecoins, o inventário inclui Ether e quantias menores de outras criptomoedas, como BNB, Tron e Livepeer. Segundo o ministério, essas apreensões fazem parte de um esforço para padronizar procedimentos de confisco, armazenamento e descarte de ativos digitais ao longo dos processos judiciais.
A divulgação reacendeu discussões no Legislativo sobre o papel do Bitcoin na estratégia financeira do país. No mês anterior, o parlamentar Ko Ju-Chun defendeu que o tema fosse tratado como questão de interesse nacional, destacando mudanças na relevância dos ativos digitais.
“Os ativos virtuais deixaram de ser apenas mercadorias especulativas e se tornaram um novo campo de batalha para a segurança nacional e a soberania financeira”,
disse Ko, vice-presidente do Caucus EUA-Taiwan no Yuan Legislativo, durante uma sessão geral de interpelação financeira.
Enquanto o debate político avança, as autoridades monetárias reforçam uma postura cautelosa. Em novembro, o banco central de Taiwan pediu regras mais rígidas para stablecoins, incluindo a exigência de que emissores mantenham parte das reservas sob supervisão direta da instituição. O objetivo é mitigar riscos à estabilidade cambial e ao sistema de pagamentos.
A Comissão de Supervisão Financeira (FSC) também trabalha em uma Lei de Serviços de Ativos Virtuais voltada a provedores VASP. O presidente da FSC, Peng Jin-long, afirmou que o texto já passou pelas análises iniciais e pode avançar para votação final na próxima sessão legislativa. A regulamentação específica para stablecoins deve ser apresentada em até seis meses, o que afasta qualquer lançamento local antes do fim de 2026.













