- Sberbank estuda empréstimos lastreados em criptomoedas
- Apoio regulatório é essencial para modelo bancário
- Rússia amplia estrutura legal para uso de criptos
O Sberbank, maior banco da Rússia, está avaliando a criação de empréstimos em rublos garantidos por criptomoedas, em um movimento que sinaliza a aproximação gradual entre o sistema bancário tradicional e os ativos digitais no país. A iniciativa ainda está em fase de estudo e depende diretamente do avanço do arcabouço regulatório russo para se tornar viável.
Anatoly Popov, vice-presidente do Conselho de Administração do Sberbank, confirmou em entrevista recente que a instituição analisa novos instrumentos financeiros baseados em criptomoedas.
“Atualmente, estamos explorando a possibilidade de empréstimos garantidos por criptomoedas”,
disse Popov, ao comentar as alternativas que vêm sendo discutidas internamente pelo banco.
Apesar do interesse, o executivo reconheceu que a legislação russa relacionada às criptomoedas ainda está em estágio inicial. Segundo ele, qualquer produto desse tipo exigirá cooperação direta com os órgãos reguladores para o desenvolvimento de uma estrutura legal e técnica adequada.
“Espero que possamos anunciar esses acordos em breve”,
acrescentou, ao tratar das conversas em andamento com autoridades governamentais.
Paralelamente aos estudos sobre empréstimos lastreados em criptos, o Sberbank vem ampliando sua atuação no segmento de ativos digitais. De acordo com Popov, desde o início de 2025 o banco organizou mais de 160 emissões de ativos digitais em sua plataforma proprietária, reforçando sua posição como um dos principais operadores desse mercado no país.
O envolvimento do Sberbank com blockchain não é recente. A instituição iniciou testes com a tecnologia em 2015, lançou um Laboratório Blockchain dedicado em 2018 e, em março de 2022, obteve licença do Banco da Rússia para oferecer e negociar Ativos Financeiros Digitais em ambiente regulado. Desde então, a estratégia de ativos digitais do banco tem se expandido de forma consistente.
Em entrevista concedida no início deste mês, Popov afirmou que o Sberbank acompanha de perto o ecossistema DeFi, avaliando como produtos descentralizados podem complementar os serviços bancários tradicionais. A tokenização de ativos aparece como uma das prioridades, vista como uma ponte entre as finanças tradicionais e plataformas descentralizadas. O banco também considera a integração com ecossistemas DeFi já existentes, em vez da criação de soluções isoladas.
Esse movimento ocorre em um contexto mais amplo de abertura regulatória. O Banco da Rússia propôs recentemente mudanças legislativas para ampliar o acesso às criptomoedas, mantendo proteções rígidas aos investidores, com expectativa de um marco regulatório funcional até julho de 2026. Nesse cenário, outras instituições também se posicionam: o VTB, segundo maior banco do país, anunciou planos para permitir a negociação à vista de criptomoedas para clientes de alta renda a partir de 2026.













