- Rússia quer stablecoin própria após bloqueio de USDT
- Carteiras russas com USDT foram congeladas em sanções
- Uso de Bitcoin cresce em negociações com China e Índia
O Ministério das Finanças da Rússia avalia a criação de stablecoins nacionais após o bloqueio de carteiras digitais associadas ao país que detinham o token USDT. A proposta foi apresentada por Osman Kabaloev, vice-diretor do departamento de política financeira da pasta, em resposta às recentes medidas tomadas contra empresas russas envolvidas no setor de criptomoedas.
O episódio que impulsionou o debate foi a suspensão de carteiras vinculadas à corretora Garantex, que armazenavam mais de 2,5 bilhões de rublos em USDT. A medida foi aplicada após a União Europeia impor sanções à empresa, acusando-a de colaborar com bancos sancionados como o Sberbank e o Alfa-Bank, facilitando operações para contornar as restrições internacionais.
A Tether, emissora do USDT, reagiu bloqueando os ativos da corretora, o que levou à paralisação das operações com criptomoedas pela Garantex. Posteriormente, a infraestrutura da empresa foi apreendida por autoridades policiais dos Estados Unidos e da Europa, e o Departamento de Justiça norte-americano acusou os principais operadores da plataforma de envolvimento com crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Estima-se que a corretora tenha processado mais de US$ 96 bilhões em transações ilegais.
Diante das dificuldades impostas pelas sanções, o governo russo vem testando novas formas de integrar criptomoedas às suas transações internacionais. A governadora do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, confirmou que empresas do país participam de um projeto experimental para uso de criptos em pagamentos externos. No entanto, ela segue contrária ao uso desses ativos no comércio interno.
Em março, circularam informações de que a Rússia teria usado Bitcoin e USDT em negociações com China e Índia envolvendo exportações de petróleo. O episódio reflete o esforço do país em adotar moedas digitais como alternativas para manter o fluxo de comércio internacional.
Além da proposta de novas stablecoins, o governo também discute o uso do rublo digital como outra alternativa para minimizar os efeitos das restrições econômicas ocidentais.













