- Revolut busca licença bancária própria nos Estados Unidos
- Fintech abandona plano de comprar banco americano
- Expansão inclui foco em criptomoedas e regulação
A fintech Revolut decidiu alterar sua estratégia de entrada no sistema bancário dos Estados Unidos e passou a preparar um pedido de licença bancária nacional própria, deixando de lado os planos de adquirir uma instituição financeira já existente. A mudança foi revelada em reportagem do Financial Times e ocorre em um momento de expansão acelerada da empresa no mercado global.
Até agosto do ano passado, a Revolut avaliava a compra de um banco americano com carta patente nacional como forma de acelerar sua atuação no mercado de crédito em todos os 50 estados. A aquisição era vista internamente como o caminho mais rápido para ganhar escala nos EUA, especialmente no segmento de empréstimos e serviços financeiros mais amplos.
No entanto, segundo o Financial Times, a fintech londrina reavaliou a estratégia após identificar obstáculos relevantes associados a esse tipo de operação. Entre os principais pontos estavam a possível exigência de manter agências físicas de um banco comunitário e a necessidade de passar por um processo regulatório adicional para aprovar a mudança de controle da instituição adquirida.
Com isso, a empresa passou a considerar mais viável a solicitação direta de uma licença junto ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC). Fontes familiarizadas com o assunto indicam que a Revolut pode se beneficiar de um processo de aprovação mais ágil, após mudanças recentes na estrutura do órgão regulador. Nos últimos anos, o OCC concedeu licenças bancárias condicionais a empresas ligadas ao setor de criptomoedas, como BitGo, Circle, Fidelity Digital Assets, Paxos e Ripple.
Em comunicado citado na reportagem, a Revolut destacou a importância estratégica do mercado americano. “O mercado americano é crucial para a estratégia de crescimento global da Revolut, e nosso plano de longo prazo é estabelecer um banco nos EUA”, afirmou a empresa. “Dito isso, continuamos a explorar ativamente todas as opções, incluindo um pedido de licença bancária.”
A revisão de planos ocorre poucos meses após uma operação de venda de ações concluída em novembro, liderada por investidores como Coatue, Greenoaks, Dragoneer e Fidelity Management & Research Company. A transação avaliou a Revolut em US$ 75 bilhões, um avanço significativo frente à avaliação de US$ 45 bilhões registrada em 2024.
Paralelamente à movimentação nos EUA, a Revolut ampliou sua atuação em criptomoedas e fortaleceu sua posição regulatória na Europa. A fintech obteve uma licença de Mercados de Criptoativos, que permite oferecer serviços completos de criptos nos 30 mercados do Espaço Econômico Europeu. Em março de 2025, a empresa também lançou o aplicativo móvel da corretora Revolut X no Reino Unido e no EEE, ampliando o acesso a serviços ligados a criptomoedas dentro de sua plataforma digital.













