- Projeto amplia regulamentação cibernética para mais setores
- Empresas podem receber multas baseadas no faturamento anual
- Regras incluem medidas contra uso indevido de IA
O governo do Reino Unido apresentou ao Parlamento o novo projeto de lei de Segurança Cibernética e Resiliência, iniciativa que amplia o alcance das regras atuais sobre redes e sistemas de informação. A proposta, anunciada pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia, inclui mais categorias de empresas de tecnologia e serviços gerenciados na estrutura regulatória cibernética do país.
Segundo o governo, a legislação busca elevar o nível de proteção de dados e redes corporativas, além de reforçar as exigências de notificação e resposta em caso de incidentes cibernéticos. O objetivo é reduzir riscos para infraestruturas críticas e aprimorar a resiliência operacional de empresas que atuam no setor de tecnologia.
O texto estabelece que provedores de gerenciamento de TI, suporte técnico e serviços de cibersegurança passarão a seguir as mesmas obrigações de entidades atualmente enquadradas nas normas NIS. Caso as regras não sejam cumpridas, as penalidades poderão ser calculadas com base no faturamento anual, criando um mecanismo de pressão para garantir que as empresas adotem padrões mais rígidos de proteção.
O projeto de lei também concede ao secretário de tecnologia poderes para orientar órgãos reguladores na implementação de medidas preventivas. As ações deverão ser voltadas a riscos considerados ameaça à segurança nacional, especialmente em setores estratégicos.
Uma pesquisa encomendada pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia estimou que um ataque cibernético grave custa, em média, £190.000 por incidente no Reino Unido, totalizando cerca de £14,7 bilhões ao ano. Esses números sustentam o avanço legislativo e reforçam a necessidade de padronização das exigências.
O governo destacou ainda que o Reino Unido pretende alinhar suas regras às diretrizes da União Europeia, o que inclui medidas para combater ataques patrocinados por Estados estrangeiros. Entre as origens apontadas pelas autoridades estão China, Irã e Coreia do Norte.
Outro ponto relevante do projeto é a inclusão de dispositivos para prevenir o uso indevido de inteligência artificial. A legislação autoriza que organizações confiáveis, como desenvolvedores de IA e instituições de caridade, realizem testes preventivos em modelos antes que conteúdo prejudicial seja gerado, especialmente materiais relacionados a abuso infantil.
A Secretária de Ciência, Inovação e Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que a proposta reforça o compromisso do Reino Unido em proteger serviços públicos, empresas e cidadãos diante do avanço das ameaças digitais.














