- Investigação sobre bitcoins apreendidos sob custódia pública
- Phishing é apontado como causa provável da perda
- Confisco de criptomoedas tem base legal consolidada
Promotores do Ministério Público do distrito de Gwangju, na Coreia do Sul, iniciaram uma investigação interna após a constatação do desaparecimento de uma quantia “significativa” de bitcoins apreendidos em um processo criminal. A apuração ganhou atenção da mídia local depois que uma revisão administrativa identificou possíveis falhas no armazenamento e na gestão dos ativos digitais mantidos pelo Estado.
De acordo com uma reportagem da agência Yonhap, os procuradores acreditam que a perda tenha ocorrido por volta de meados de 2025. Um ataque de phishing é tratado como a principal hipótese para explicar o sumiço dos bitcoins, embora detalhes técnicos sobre o incidente não tenham sido divulgados. As autoridades optaram por não confirmar o volume nem o valor exato dos ativos desaparecidos, alegando que o caso segue em investigação.
O escritório de Gwangju já esteve envolvido anteriormente em apreensões de grande porte no mercado de criptomoedas. Em março de 2024, promotores tentaram confiscar cerca de 170 bilhões de won, o equivalente a aproximadamente US$ 127 milhões, em bitcoins associados a um esquema de jogos de azar ilegais. Em outro processo, também em 2024, a promotoria buscou apreender 24.613 BTC ligados a atividades semelhantes, o que amplia a relevância do atual desaparecimento.
O episódio reacende o debate sobre os protocolos de custódia e segurança adotados por órgãos públicos ao lidar com criptos apreendidas. Diferentemente de ativos tradicionais, o gerenciamento de chaves privadas exige controles técnicos rigorosos, o que torna instituições governamentais alvos potenciais de ataques digitais quando esses procedimentos não são seguidos à risca.
Na Coreia do Sul, o confisco de bitcoins possui respaldo jurídico desde 2018, quando o Supremo Tribunal decidiu que criptomoedas são ativos intangíveis com valor econômico e, portanto, passíveis de apreensão conforme o Código de Processo Penal. Essa decisão permitiu, na época, o confisco de 191 BTC de um operador de site de pornografia infantil, avaliados em cerca de US$ 2,3 milhões.
O entendimento foi ampliado em 11 de dezembro do ano passado, quando a Suprema Corte confirmou que bitcoins mantidos em corretoras centralizadas, como Upbit e Bithumb, também podem ser apreendidos. O tribunal afirmou que o bitcoin constitui informação eletrônica com valor econômico independente, consolidando a base legal para ações de confisco em investigações criminais em andamento.












