- Professores contestam projeto de lei de criptomoedas no Senado
- Sindicato teme instabilidade nos fundos de aposentadoria
- Trump apoia inclusão de cripto em planos 401(k)
A Federação Americana de Professores (AFT), que representa cerca de 1,8 milhão de trabalhadores nas áreas de educação, saúde e serviços públicos, manifestou forte oposição a um projeto de lei em tramitação no Senado dos Estados Unidos que visa estabelecer uma estrutura regulatória para o mercado de criptomoedas. Segundo a entidade, a proposta representa uma ameaça à segurança financeira dos planos de aposentadoria.
Em carta enviada aos líderes do Comitê Bancário do Senado, a AFT criticou o projeto Responsible Financial Innovation Act, que, segundo os legisladores, se baseia no CLARITY Act, aprovado na Câmara. Para o sindicato, a legislação cria brechas que podem permitir a inclusão de ativos digitais em fundos de aposentadoria, mesmo sem estabelecer regras claras de proteção.
“Este projeto de lei não oferece uma estrutura regulatória para criptoativos e stablecoins equivalente àquela aplicada a outros fundos de pensão”, afirma a carta. “A maioria dos fundos de pensão não possui criptoativos devido ao risco envolvido. Esta legislação finge que os criptoativos são estáveis e convencionais, o que não é verdade.”
Apesar de o texto não citar diretamente a permissão para uso de criptomoedas em planos de aposentadoria, a AFT alertou que, caso aprovado, ele pode resultar em exposição indireta a ativos voláteis. A entidade teme que fundos 401(k) e planos públicos acabem incorporando esses ativos, mesmo se alocados via títulos tradicionais.
Outras organizações trabalhistas, como a Federação Americana do Trabalho e o Congresso de Organizações Industriais, também expressaram preocupações semelhantes em carta enviada anteriormente. Para esses grupos, a proposta pode ampliar o risco aos trabalhadores ao permitir a presença de criptomoedas em seus fundos previdenciários.
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, tem incentivado a inclusão de ativos digitais nesses planos. Em agosto, ele assinou uma ordem executiva instruindo o Departamento do Trabalho a reavaliar as restrições sobre investimentos alternativos em planos 401(k), incluindo criptos.
Além disso, empresas do setor financeiro vêm abrindo espaço para o uso desses ativos em fundos de aposentadoria. O Morgan Stanley, por exemplo, passou a autorizar que consultores recomendem fundos ligados a criptomoedas. Já fundos públicos de estados como Michigan e Wisconsin apresentam exposição indireta via ETFs.
O Senado ainda não definiu a data para a votação do projeto, mas a senadora Cynthia Lummis afirmou que uma nova versão do texto deve ser apresentada nos próximos dias, com possível audiência antes do recesso parlamentar.














