- IA absorveu liquidez e pressionou o preço do Bitcoin
- Bitcoin perde espaço para ações ligadas à inteligência artificial
- Arthur Hayes prevê impacto da IA nas criptomoedas
O Bitcoin enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo de crescimento observado em ciclos anteriores, mesmo diante da expansão da liquidez global. Para Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, a explicação pode estar no avanço acelerado da inteligência artificial, que passou a disputar os mesmos recursos financeiros que tradicionalmente beneficiavam as criptomoedas.
Em uma análise recente, Hayes revisitou sua tese de que o mercado de criptomoedas é amplamente influenciado pela criação de moeda fiduciária. Segundo ele, a avaliação anterior considerava principalmente o aumento da oferta monetária, mas não levava em conta para onde esse capital estava sendo direcionado.
Na visão do executivo, o lançamento comercial do ChatGPT, no final de 2022, marcou o início de uma forte onda de investimentos em inteligência artificial. Desde então, empresas do setor passaram a atrair volumes expressivos de capital, desviando recursos que, em outros momentos, poderiam ter chegado ao Bitcoin e a outros ativos digitais.
Embora o Bitcoin tenha registrado uma recuperação significativa após a crise provocada pelo colapso da FTX, saindo da região de US$ 15 mil para cerca de US$ 125 mil em outubro de 2025, Hayes destacou que algumas empresas ligadas à IA apresentaram valorização ainda maior no mesmo período.
Entre os exemplos citados está a Nvidia, cuja valorização superou o desempenho do BTC. De acordo com Hayes, a diferença tornou-se ainda mais evidente a partir do fim de 2024, quando os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial aceleraram de forma expressiva.
O ex-CEO da BitMEX classificou a IA como um setor altamente dependente de capital. A construção de data centers, a expansão da capacidade energética, a produção de chips avançados e toda a infraestrutura necessária para sustentar modelos de inteligência artificial exigiram aportes bilionários.
Com base em dados públicos, Hayes estimou que empresas relacionadas à IA emitiram aproximadamente US$ 1,5 trilhão em dívidas desde novembro de 2022. Desse montante, cerca de US$ 1,3 trilhão teria sido levantado apenas a partir de 2025, período marcado pela intensificação dos gastos com infraestrutura tecnológica.
Ao comparar esse valor com a expansão da oferta monetária M2 dos Estados Unidos no mesmo intervalo, Hayes observou que ambos cresceram em proporções semelhantes. A conclusão apresentada foi direta:
“A IA absorveu todos os dólares criados.”
Enquanto isso, alguns analistas permanecem cautelosos em relação ao comportamento do Bitcoin no curto prazo. O analista conhecido como Doctor Profit afirmou que o mercado estaria atravessando uma fase mais sensível do atual ciclo, marcada por volatilidade elevada e maior pressão sobre os investidores.
Segundo sua avaliação, a correção recente ainda não representaria o fundo definitivo do movimento de baixa. O analista apontou a faixa entre US$ 40 mil e US$ 48 mil como uma possível região para a mínima do ciclo do Bitcoin, com a formação desse piso podendo ocorrer entre setembro e outubro de 2026.












