- PIB dos EUA cresce 3,3% no 2º trimestre
- Importações em queda impulsionam economia americana
- Política tarifária de Trump impacta crescimento do PIB
A economia dos Estados Unidos apresentou expansão anualizada de 3,3% entre abril e junho, segundo a segunda estimativa divulgada pelo Departamento de Comércio. O número supera a projeção anterior, de 3%, e representa uma recuperação após a retração de 0,5% registrada no primeiro trimestre de 2025.
Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela forte queda nas importações, que recuaram 29,8% no período. Como as importações são subtraídas do Produto Interno Bruto (PIB), essa redução sozinha adicionou mais de cinco pontos percentuais ao crescimento do trimestre. A queda refletiu uma normalização após um primeiro trimestre marcado por compras antecipadas de produtos estrangeiros, em função das novas tarifas impostas pelo atual presidente dos EUA.
Os gastos dos consumidores, que correspondem a cerca de 70% do PIB, também contribuíram para o resultado. Eles cresceram 1,6% no segundo trimestre, acima da taxa de 0,5% do trimestre anterior e levemente superior à estimativa inicial de 1,4%. Esse desempenho foi interpretado como sinal de resiliência da demanda interna, mesmo diante das incertezas econômicas.
Por outro lado, o investimento privado registrou queda anualizada de 13,8%, a maior desde a crise da pandemia em 2020. A redução nos estoques privados teve papel relevante nessa retração, retirando cerca de 3,3 pontos percentuais do crescimento geral do PIB. Já os gastos do governo federal caíram 4,7%, ampliando a baixa de 4,6% observada no primeiro trimestre.
Uma métrica que exclui fatores voláteis como estoques, exportações e gastos públicos — e é usada para medir a força subjacente da economia — teve crescimento de 1,9%, em linha com o registrado no primeiro trimestre.
As tarifas amplamente aplicadas pela atual administração continuam sendo objeto de debate. Enquanto o governo defende a medida como estratégia para fortalecer a indústria nacional e compensar cortes tributários, economistas alertam para os efeitos inflacionários e a perda de competitividade de empresas protegidas. A instabilidade nas diretrizes comerciais também tem gerado incertezas para investimentos de longo prazo.
Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, destacou que o mercado de trabalho forte continua sustentando o consumo, mas alertou que “os gastos e o crescimento devem permanecer mais lentos, em torno de 1,5%, à medida que o impacto das tarifas se torna mais evidente para os consumidores americanos”.
Impactos no mercado de criptomoedas
O desempenho da economia americana exerce influência direta sobre o comportamento das criptomoedas. Um PIB mais forte tende a reduzir a expectativa de cortes rápidos nas taxas de juros pelo Federal Reserve, mantendo o dólar valorizado e pressionando ativos de risco, incluindo o Bitcoin e outras criptos.
Por outro lado, a queda nos investimentos privados e o temor de que tarifas ampliem custos podem estimular investidores a buscar ativos alternativos como hedge, fortalecendo a narrativa das criptomoedas como reserva de valor em períodos de incerteza.
Com a economia em ritmo moderado e sinais de desaceleração no consumo futuro, analistas do setor apontam que o mercado de criptos pode experimentar maior volatilidade, reagindo tanto às expectativas de política monetária quanto ao fluxo de capital em direção a ativos digitais como Ethereum, Solana e XRP.
No momento da publicação, o Bitcoin (BTC) estava cotado em US$ 113.104, registrando alta de 1% nas últimas 24 horas.














