- Novogratz defende avanço da legislação cripto
- Projeto enfrenta impasse sobre stablecoins
- Coinbase retira apoio ao texto atual
Um projeto de lei abrangente para estabelecer a estrutura do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos pode avançar nas próximas semanas, mesmo sem consenso total. A avaliação é de Michael Novogratz, CEO da Galaxy, que afirmou que a legislação não precisa ser perfeita para permitir que o setor siga adiante e ganhe previsibilidade regulatória.
Em entrevista à CNBC, Novogratz comentou o impasse recente no Congresso e minimizou a necessidade de um texto final ideal. “Acredito que haverá um acordo sobre isso”, disse. “Não acho que será ótimo para as criptomoedas, mas acho que ficará tudo bem. E, para mim, continuo dizendo: precisamos aprovar esse projeto de lei para que possamos seguir em frente e o setor possa começar a crescer.”
Ele reforçou a visão pragmática ao acrescentar:
“E se não ficar perfeito, quem se importa? A gente conserta com o tempo”.
As negociações legislativas sofreram uma interrupção na semana passada, poucas horas antes de uma audiência marcada no Comitê Bancário do Senado para debater e votar o texto sobre a estrutura do mercado de criptomoedas. O principal ponto de atrito envolve o tratamento das recompensas associadas às stablecoins, tema que já vinha gerando divergências desde o verão.
Grupos bancários criticaram a Lei GENIUS, aprovada anteriormente, argumentando que, embora o texto impeça emissores de stablecoins de pagarem juros diretamente aos usuários, ele ainda permite que plataformas de terceiros ofereçam recompensas. Representantes do setor cripto veem essa pressão como uma tentativa de limitar a concorrência, destacando que o debate sobre rendimento de stablecoins não é novo.
Na segunda-feira à noite, o Comitê Bancário divulgou uma versão atualizada do projeto, com mais de 270 páginas. Emendas deveriam ser apresentadas até terça-feira, e mais de 70 alterações foram protocoladas antes da votação prevista. No entanto, o cenário mudou quando o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, publicou que a empresa não poderia apoiar o texto na forma atual.
As preocupações da Coinbase se concentram em quatro pontos: ações tokenizadas, DeFi, dispositivos que, segundo Armstrong, “acabariam com as recompensas das stablecoins”, e o papel da SEC. Poucas horas depois, a audiência foi cancelada sem nova data definida.
Em entrevista à CNBC, Armstrong afirmou:
“Francamente, prefiro não ter conta nenhuma do que ter uma conta ruim”.
Ele acrescentou que o texto atual poderia inviabilizar várias linhas de produtos da empresa. “Portanto, se isso for uma concessão aos bancos, prefiro manter o GENIUS, que já está em vigor e nos permite operar nossos negócios perfeitamente bem nesse ambiente.”
Apesar da retirada de apoio da Coinbase, Novogratz indicou confiança de que ajustes pontuais permitirão a continuidade das negociações. Funcionários democratas dos Comitês de Agricultura e Bancário do Senado devem realizar uma teleconferência com representantes da indústria de criptomoedas para buscar um caminho comum e destravar o avanço da legislação.













