- Mineradoras de Bitcoin ampliam negócios com infraestrutura para inteligência artificial
- Demanda por energia da IA fortalece modelo das mineradoras de Bitcoin
- Ações de mineradoras de Bitcoin sobem com expansão para data centers
As mineradoras de Bitcoin estão ganhando destaque entre investidores ao reposicionar seus negócios para atender à crescente demanda de energia e computação da inteligência artificial. Segundo análise da gestora de ativos VanEck, empresas do setor podem estar diante de uma oportunidade relevante ao combinar infraestrutura de mineração com serviços voltados para data centers e IA.
Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da empresa, afirmou que muitas mineradoras já começaram a diversificar suas operações para além da simples produção de novos bitcoins. Segundo ele, essas companhias passaram a utilizar a infraestrutura energética que construíram para atender também empresas de inteligência artificial.
“Eles têm diversificado agressivamente sua capacidade de bitcoin para atender o mercado de IA e ainda são negociados com um grande desconto em relação a outros data centers quando se compara capitalização de mercado por megawatt”, afirmou Sigel em entrevista à CNBC na quarta-feira.
Nos últimos anos, mineradoras de Bitcoin construíram grandes centros de processamento que exigem enorme quantidade de eletricidade para operar equipamentos de mineração. Essa infraestrutura, inicialmente criada para processar transações e validar blocos da rede, mostrou-se adequada para atender também às necessidades energéticas de sistemas de inteligência artificial.
Com a expansão da IA em escala global, o consumo de eletricidade aumentou de forma significativa. Em várias regiões, a oferta de energia não acompanhou o ritmo da demanda, abrindo espaço para empresas que já possuem acesso a grande capacidade elétrica.
“Pense no bitcoin pelo impacto que ele tem na rede elétrica”, acrescentou Sigel. “Agora temos vários choques de demanda depois de décadas de oferta insuficiente na rede, e essas mineradoras foram das primeiras a perceber que estavam sentadas sobre uma mina de ouro em termos do custo de capital que podem obter ao mudar de estratégia.”
Diante desse cenário, algumas mineradoras começaram a modificar suas estratégias de investimento. A Core Scientific, por exemplo, informou que pretende vender a maior parte de seus bitcoins ao longo do ano para direcionar recursos à expansão de operações ligadas à computação de alto desempenho e inteligência artificial.
Outras empresas também demonstram mudanças no modelo de negócios. A Riot Platforms indicou que sua estratégia inclui liberar parte de sua capacidade energética para data centers voltados à infraestrutura tecnológica.
“2025 marcou um ano decisivo para a Riot, definido por uma evolução estratégica em nosso negócio que transformou nossa trajetória futura”, disse o CEO da Riot, Jason Les, na semana passada. “Ao liberar nosso grande portfólio de energia, próximo de dois gigawatts, para infraestrutura de data centers de alta demanda, estamos gerando valor significativo para os acionistas.”
O movimento tem refletido no desempenho de algumas ações do setor. Nos últimos doze meses, papéis da Core Scientific registraram forte valorização, enquanto ações da Riot também apresentaram ganhos relevantes. Já a MARA Holdings enfrentou pressão devido ao aumento de custos de mineração e menor produção de blocos em 2025.












