- Mercados de previsão ganham espaço nas criptomoedas
- Polymarket e Kalshi atingem avaliações bilionárias
- Regulação e volumes desafiam expansão em 2026
Os mercados de previsão fecharam 2025 com o melhor desempenho já registrado, impulsionados por eventos políticos, esportivos e pelo avanço do interesse institucional. Plataformas como Polymarket e Kalshi consolidaram posições de liderança, atraindo capital, parcerias estratégicas e atenção de reguladores, enquanto se preparam para um ano decisivo em 2026.
As duas empresas alcançaram avaliações expressivas ao longo do ano. A Kalshi chegou a US$ 11 bilhões após rodadas de financiamento consecutivas, enquanto a Polymarket foi avaliada em US$ 9 bilhões após receber investimento da Intercontinental Exchange. Apesar do crescimento, o modelo de negócios ainda não é sustentado por receitas relevantes, o que alimenta debates sobre a real dimensão do uso dessas plataformas.
Para alguns analistas, o valor dessas empresas está nos dados gerados.
“A avaliação deles não se baseia na receita. Baseia-se nos dados”,
disse Leo Chan. Segundo ele, a inteligência coletiva formada pelos usuários permite previsões mais precisas sobre eventos futuros, o que desperta interesse de instituições financeiras e empresas fora do ambiente tradicional de traders.
“Esse tipo de informação, esse tipo de dado, é extremamente importante e valioso para pessoas fora do meio dos traders”,
acrescentou.
O crescimento dos mercados de previsão ganhou força no fim de 2024, durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos, quando apostas políticas movimentaram grandes volumes. Em 2025, o escopo se ampliou para esportes, economia e tecnologia, com destaque para apostas envolvendo a NFL e outros eventos de grande audiência. Parcerias com veículos de mídia e ligas esportivas ajudaram a ampliar a visibilidade dessas plataformas.
Mesmo assim, há questionamentos sobre os volumes divulgados. Críticos apontam que parte dos números pode superestimar o uso real, especialmente em plataformas que publicam dados não verificáveis. A Kalshi rejeitou essas críticas, afirmando cumprir exigências regulatórias rigorosas. “Esse é um requisito legal… então eu diria que nosso volume definitivamente não está inflado nem deflacionado”, disse Jack Such.
Outro ponto de atenção são os chamados “mercados de menção”, nos quais usuários apostam no que figuras públicas podem dizer. O tema ganhou destaque após o CEO da Coinbase provocar pagamentos ao mencionar termos específicos ligados a criptomoedas. Para Jeff Dorman, o episódio foi problemático:
“Você precisa de um exame de consciência se acha que é bonitinho, inteligente ou esperto o fato de o CEO da maior empresa deste setor ter manipulado abertamente o mercado”.
Com eleições de meio de mandato nos EUA em 2026 e maior escrutínio regulatório, os mercados de previsão entram em uma fase em que escala, credibilidade e governança tendem a definir quais plataformas conseguirão sustentar o crescimento observado em 2025.












