- S&P 500 e Nasdaq caem com rotação fora de tecnologia.
- Dados de empregos e inflação guiam juros do Federal Reserve.
- Bitcoin consolida; ETFs de bitcoin mostram fluxo mais fraco.
Wall Street iniciou a última semana completa de negociações de 2025 sob pressão, com baixa dos principais índices e perda de tração nas ações de tecnologia. O movimento ajudou a derrubar o Nasdaq e o S&P 500 que caiu 0,20%, enquanto o Dow Jones mostrou desempenho relativamente melhor, por ter menor concentração de empresas do setor.
O ajuste tem relação com uma mudança de posicionamento. Investidores passaram a reduzir exposição a companhias ligadas a inteligência artificial, diante de expectativas consideradas excessivas em algumas teses do segmento. Ao mesmo tempo, ações classificadas como “valor” ganharam espaço, sinalizando que a busca por oportunidades não está restrita às big techs.
Para parte dos estrategistas, essa troca pode ser construtiva para o mercado. Em vez de depender de poucos nomes, a alta poderia se distribuir por outros setores, o que tende a diminuir a fragilidade do rali quando tecnologia perde força. Ainda assim, o cenário segue sensível a dados econômicos e à trajetória de juros.
A agenda da semana é vista como decisiva para medir se ainda existe espaço para afrouxamento monetário. Com divulgações afetadas por paralisação do governo americano, o relatório de empregos, referente a novembro, está previsto para terça-feira. A leitura de inflação do mesmo período deve sair na quinta-feira. Também entram no radar as vendas no varejo de outubro, acompanhadas de perto por investidores que tentam entender se o Federal Reserve está perto de pausar os cortes.
Além dos indicadores, cresce o foco na sucessão de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, vem defendendo juros mais baixos e, entre os nomes citados para a presidência do Federal Reserve, Kevin Hassett aparece como um dos favoritos, com Kevin Warsh também mencionado. No fim de semana, Hassett disse que consideraria a visão de Trump se fosse escolhido, mas destacou que a instituição manteria independência na definição das taxas.
Criptomoedas hoje
No mercado de criptomoedas, o Bitcoin caiu mais de 3% na segunda-feira e voltou para perto de US$ 85.000. Analistas apontam que a falta de convicção compradora tem limitado tentativas de recuperação no fim do ano, principalmente após a criptomoeda falhar em retomar US$ 94.000 na semana passada. No momento da publicação, a cotação do Bitcoin estava em US$ 85.868,21, com queda de 3%, refletindo um fim de ano marcado por menor convicção compradora.
Outro elemento observado são os fluxos mais moderados em ETFs de bitcoin nas últimas semanas, o que tem reduzido o impulso de alta. “É mais provável que o Bitcoin continue sendo negociado em uma fase de consolidação, com uma faixa relativamente ampla entre US$ 80.000 e US$ 100.000, em vez de entrar em uma forte tendência de alta“, disse Linh Tran, analista sênior de mercado da XS.com.
Na leitura técnica, o trader Alex RT₿ destacou sinais de perda de força no gráfico semanal após uma alta expressiva, descrevendo um comportamento típico do ativo em períodos de transição de tendência: “O gráfico semanal do Bitcoin está perdendo força após uma forte alta e fazendo o que sempre faz: testando a paciência e abalando a convicção. O preço rompeu o canal de alta e está oscilando em torno de 85 mil, não é um colapso, apenas o Bitcoin demonstrando fraqueza. 75 mil é a linha real; se mantiver esse nível, será um recuo normal; se perder, o sentimento do mercado mudará rapidamente. Por enquanto, é volatilidade, tensão e o Bitcoin lembrando a todos por que isso não é fácil.”
$BTC weekly is cooling off after a strong run and doing what it always does, testing patience and shaking conviction
Price lost the rising channel and is hanging around 85k, not a crash, just BTC shaking weak hands
75k is the real line, hold it and this is a normal pullback,… pic.twitter.com/Qism8b4wXj
— Alex RT₿ (@rutradebtc) December 15, 2025
Do ponto de vista profissional, a análise reforça dois pontos centrais para o curto e médio prazo. Primeiro, a faixa de US$ 85 mil funciona como zona psicológica e técnica, onde oscilações costumam aumentar e “varrer” posições alavancadas. Segundo, o nível de US$ 75 mil aparece como referência de estrutura: manter essa área preservaria a narrativa de correção controlada dentro de um ciclo maior, enquanto perder esse patamar tenderia a ampliar o pessimismo e aumentar a probabilidade de vendas mais agressivas, especialmente se os dados macro e o discurso sobre juros endurecerem.














