- Kalshi intensifica lobby federal nos EUA
- Mercado de previsões enfrenta pressão regulatória estadual
- CFTC e contratos esportivos geram disputas legais
A plataforma de mercado de previsões Kalshi abriu um novo escritório em Washington, D.C., sinalizando um movimento estratégico para ampliar sua atuação política junto ao governo dos Estados Unidos. A iniciativa ocorre em um momento em que a empresa busca consolidar sua posição regulatória enquanto enfrenta desafios jurídicos em diferentes estados.
Com a nova base na capital americana, a companhia nomeou John Bivona como seu primeiro chefe de relações com o governo federal. O estrategista político acumula mais de duas décadas de experiência e já atuou como principal ponto de contato da Casa Branca no Departamento de Segurança Interna durante o governo Biden.
No âmbito estadual, a Kalshi também reforçou sua equipe ao contratar Blake Bee, ex-gerente sênior de políticas públicas estaduais e locais da Amazon. Ele terá a missão de coordenar o diálogo com autoridades regionais, incluindo procuradores-gerais que vêm questionando a legalidade de certos contratos oferecidos pela plataforma.
Regulada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a Kalshi se apresenta como o maior mercado de previsões do mundo em volume mensal. Em dezembro, a empresa registrou US$ 6,58 bilhões em negociações, superando a concorrente Polymarket, que movimentou US$ 2,28 bilhões no mesmo período.
O crescimento da atividade ganhou força a partir de setembro de 2025, coincidindo com o início da temporada da NFL nos Estados Unidos. Segundo o CEO Tarek Mansour, a plataforma movimentou cerca de US$ 441 milhões apenas nos quatro primeiros dias após o início da temporada no ano anterior.
Kalshi has done $441m of volume since NFL kickoff.
NFL week 1 is equal to a US election.
Probably nothing. pic.twitter.com/l08dshJ2eN
— Tarek Mansour (@mansourtarek_) September 8, 2025
Apesar do avanço, a empresa enfrenta resistência em nível estadual devido aos seus contratos ligados a eventos esportivos. Estados como Arizona, Tennessee, Connecticut e Massachusetts adotaram medidas legais, argumentando que esses produtos se enquadram como apostas esportivas não licenciadas conforme suas legislações locais.
As decisões judiciais têm sido variadas. Em Nevada, um juiz federal determinou que a Kalshi deve seguir as regras estaduais de jogos, rejeitando o argumento de que a supervisão da CFTC prevalece sobre as normas locais. A empresa recorre dessa decisão.
Já no Tennessee, uma ordem judicial suspendeu temporariamente as tentativas de autoridades estaduais de bloquear os contratos esportivos da plataforma. Enquanto isso, reguladores também passaram a mirar empresas como Polymarket e Crypto.com, ampliando o debate sobre os limites entre mercados de previsões e apostas tradicionais.














