- Venda de Bitcoin contradiz ordem de Donald Trump
- Criptomoedas ligadas à Samourai foram parar na Coinbase Prime
- Departamento de Justiça questionado sobre ativos confiscados
A forma como o governo dos Estados Unidos lidou com os Bitcoins apreendidos da Samourai Wallet reacendeu críticas sobre o tratamento de criptomoedas em processos criminais. Dados da blockchain e documentos judiciais analisados sugerem que os ativos foram transferidos e possivelmente liquidados — algo que vai contra uma diretriz emitida pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, exigindo a preservação dos Bitcoins confiscados como parte de uma reserva estratégica.
Em agosto de 2025, os fundadores da carteira Samourai, Keonne Rodriguez e William Lonergan Hill, se declararam culpados por conspiração para operar uma empresa de transferência de valores sem licença, no Distrito Sul de Nova York. A acusação envolvia a oferta de um serviço de mistura de criptomoedas, o qual, segundo os promotores, movimentou mais de US$ 200 milhões em transações ilícitas, abrangendo fundos ligados a mercados da darknet e fraudes online.
“Os réus criaram e operaram um serviço de mistura de criptomoedas que, sabiam, permitia que criminosos lavassem milhões de dólares em dinheiro sujo”, declarou o procurador interino dos EUA, Nicolas Roos.
Como parte do acordo judicial, ambos concordaram em entregar bens relacionados às atividades criminosas, incluindo 57,55 BTC — avaliados em cerca de US$ 6,37 milhões no momento da apreensão. A apreensão ocorreu com base na Seção 982 do Título 18 do Código dos Estados Unidos, que trata do confisco de bens relacionados à lavagem de dinheiro.
Contudo, o destino dos Bitcoins gerou controvérsia. Em vez de serem mantidos sob custódia do Serviço de Delegados dos EUA, os ativos foram enviados em 3 de novembro de 2025 para um endereço atribuído pela Arkham Intelligence à Coinbase Prime — uma corretora voltada a investidores institucionais e agências governamentais.
Esse movimento levanta dúvidas sobre o cumprimento das ordens federais e reacende o debate sobre como o Departamento de Justiça está administrando as criptomoedas obtidas em ações criminais. O caso da Samourai Wallet agora se junta a uma série de episódios que colocam em xeque a política de gestão de ativos digitais por parte das autoridades americanas.














