- Jane Street volta a comprar Bitcoin com entrada de 205 BTC
- Processo ligado ao colapso da TerraUSD pressiona gigante de Wall Street
- Analistas rejeitam teoria de manipulação no mercado de Bitcoin
A Jane Street, uma das maiores empresas de trading quantitativo de Wall Street e participante autorizada em ETFs spot de Bitcoin, voltou a registrar atividade relevante no mercado de criptomoedas. Dados on-chain indicam que carteiras associadas à companhia receberam recentemente 205 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 15 milhões.
Segundo dados monitorados pela plataforma Lookonchain, os Bitcoins foram transferidos das corretoras institucionais BitMEX e LMAX Digital na segunda-feira. O movimento chamou atenção de analistas do mercado, principalmente porque ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre o papel da empresa em eventos passados envolvendo grandes colapsos do setor.
A nova movimentação acontece enquanto a empresa enfrenta acusações relacionadas ao colapso da TerraUSD (UST) e do token LUNA, ocorrido em maio de 2022. O episódio eliminou cerca de US$ 40 bilhões em valor de mercado e marcou um dos maiores choques da história das criptomoedas.
Todd Snyder, administrador responsável pelo processo de falência da Terraform Labs, entrou com uma ação judicial contra a Jane Street alegando que a empresa teria se beneficiado de práticas de front-running com base em informações privilegiadas não públicas. Paralelamente, Snyder também abriu um processo separado de US$ 4 bilhões contra a Jump Trading.
Enquanto o caso segue na esfera judicial, uma teoria ganhou força na rede social X sugerindo que a Jane Street poderia ter influenciado movimentos recorrentes no preço do Bitcoin. Alguns operadores apontaram um padrão de queda do ativo por volta das 10h da manhã no horário da costa leste dos Estados Unidos, logo após a abertura dos mercados americanos.
De acordo com essa hipótese, a empresa teria utilizado sua posição como participante autorizada do ETF iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, para vender Bitcoin no mercado à vista, desencadear liquidações e posteriormente acumular ações do ETF a preços menores.
Observadores do mercado notaram, no entanto, que o padrão de vendas teria desaparecido no final de fevereiro de 2026, poucos dias após a ação judicial contra a Terraform se tornar pública.
Mesmo assim, analistas experientes do setor descartam a possibilidade de manipulação sistemática. Rob Hadick, sócio da Dragonfly Capital, afirmou que muitas dessas alegações refletem uma interpretação incorreta sobre o funcionamento dos mercados de derivativos e o papel exercido pelos participantes autorizados em ETFs.
Uma pessoa próxima à Jane Street também comentou sobre o tema em entrevista à revista Fortune, classificando as acusações como uma teoria da conspiração “absolutamente ridícula”.












