- Bitcoin vira opção de pagamento no Estreito de Ormuz
- Irã pode cobrar até US$ 2 milhões por navio
- Pedágio em criptomoedas pressiona petróleo e mercado do Bitcoin
O Irã se prepara para adotar uma medida inédita no Estreito de Ormuz ao permitir pagamentos em Bitcoin e outras criptomoedas para a liberação de petroleiros durante o cessar-fogo de duas semanas. A proposta surge em meio à tentativa de Teerã de elevar sua arrecadação e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência do sistema financeiro atrelado ao dólar.
Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, a cobrança foi fixada em cerca de US$ 1 por barril transportado. Na prática, isso significa que um superpetroleiro totalmente carregado poderá enfrentar taxas próximas de US$ 2 milhões para atravessar uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.
🚨URGENTE: Segundo o jornal britânico Financial Times o Irã vai exigir pagamento em BITCOIN no pedágio de passagem pelo Estreito de Ormuz.
“Assim que o e-mail chegar e o Irã concluir sua avaliação, os navios terão alguns segundos para pagar em bitcoin, garantindo que não possam… pic.twitter.com/aVkhRAPcH7— Choquei BTC (@choqueibtc) April 8, 2026
A escolha por Bitcoin e yuan chinês como meios aceitos de pagamento reforça uma estratégia que o país vem adotando há anos: limitar a exposição a sanções e evitar o risco de bloqueio de recursos. Dentro desse contexto, o Bitcoin ganha espaço não apenas como reserva alternativa, mas também como ferramenta operacional em momentos de tensão geopolítica.
Esse movimento também recoloca o papel das criptomoedas no centro das discussões sobre comércio internacional e energia. O mercado já vinha reagindo ao avanço das negociações de cessar-fogo, e o Bitcoin chegou a subir com força após a notícia de uma trégua entre Irã e EUA, acompanhando o alívio parcial nos ativos de risco.
Mesmo assim, a travessia pelo estreito segue longe da normalidade. Dados de rastreamento naval apontaram a passagem dos primeiros navios após o acordo, mas o fluxo continuou reduzido. Além disso, os dois navios identificados eram graneleiros, usados para carga seca, e não petroleiros.
A hesitação das companhias marítimas continua elevada. Parte da incerteza vem da exigência iraniana de que a navegação ocorra “mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e levando em consideração as limitações técnicas”.
No setor, a falta de orientação prática ainda trava decisões. “Não temos informações sobre como poderíamos transitar pelo Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo… Não estamos em contato com as autoridades iranianas”, disse à CNBC um executivo do setor de navegação, cujos navios estão atualmente retidos no Golfo Pérsico.
“O mais importante para nós é a segurança dos membros da nossa tripulação e, se decidíssemos realizar a travessia, precisaríamos de garantias absolutas sobre a segurança deles”, disse o executivo.












