- Inflação anual nos EUA permanece em 2,6% em julho
- Inflação subjacente sobe para 2,9%, maior desde fevereiro
- Fed resiste a cortes agressivos nas taxas de juros
O indicador de inflação preferido do Federal Reserve registrou estabilidade em julho, mantendo um avanço anual de 2,6%, de acordo com dados do Departamento do Comércio. O resultado foi idêntico ao observado em junho, reforçando a percepção de que a inflação segue moderada, mas ainda acima da meta oficial de 2%.
No entanto, ao se excluir itens voláteis como alimentos e energia, a chamada inflação subjacente mostrou aceleração, atingindo 2,9% em relação ao ano anterior. Esse foi o maior nível desde fevereiro e acima dos 2,8% de junho, fator que ajuda a explicar a cautela do Fed em relação a cortes mais profundos em sua taxa básica.
Apesar de estar bem abaixo do pico de quase 7% registrado há três anos, a inflação continua pressionada o suficiente para manter a autoridade monetária em posição de vigilância. Na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 0,2% entre junho e julho, enquanto a inflação subjacente avançou 0,3% pelo segundo mês seguido.
O relatório ainda apontou uma recuperação nos gastos do consumidor, que aumentaram 0,5% em julho, maior crescimento desde março. Esse movimento indica que a demanda doméstica segue resiliente, mesmo diante das taxas de juros elevadas e da incerteza econômica. As despesas foram impulsionadas, sobretudo, por bens duráveis como veículos, móveis e eletrodomésticos, muitos deles importados.
A renda pessoal também registrou elevação de 0,4% no período, sustentada por ganhos salariais consistentes, o que reforça a capacidade de consumo da população norte-americana.
O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou recentemente que um corte na taxa básica de juros deve ocorrer na próxima reunião da instituição. No entanto, autoridades monetárias ressaltam que o processo será gradual, sem definições claras sobre o número de reduções até o final do ano.
Enquanto isso, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, segue pressionando o banco central por uma política de juros mais frouxa. Ele tem insistido que “não há inflação” e chegou a chamar Powell de “idiota” por agir, segundo ele, de forma “tardia”. Trump também tentou retirar Lisa Cook, integrante do conselho do Fed, em busca de maior influência sobre as decisões da instituição.
A expectativa do mercado é que a condução da política monetária norte-americana continue sendo fator decisivo para os rumos da economia global e, por consequência, para os ativos de risco, incluindo ações e criptomoedas.
O que isso significa para os investidores de criptomoedas
A leitura do índice de inflação nos EUA e a expectativa sobre os próximos passos do Federal Reserve impactam diretamente o mercado de criptomoedas. Caso o banco central opte por reduzir os juros de forma gradual, o custo do capital tende a cair, o que normalmente aumenta o apetite por ativos de risco, incluindo o Bitcoin e altcoins como Ethereum, Solana e XRP.
Por outro lado, a persistência da inflação subjacente em níveis elevados pode adiar cortes mais agressivos, mantendo a liquidez global restrita e limitando fluxos para o setor cripto no curto prazo. Ainda assim, a resiliência do consumo norte-americano e a sinalização de Powell de que a tendência é de flexibilização gradual oferecem algum alívio ao mercado.














