- Lei GENIUS sobre stablecoins divide bancos e grupos cripto
- Setor bancário pressiona por mudanças na regulamentação de stablecoins
- Associações de criptomoedas defendem concorrência e inclusão financeira
Dois dos principais grupos de defesa das criptomoedas se manifestaram contra uma recente solicitação do setor bancário norte-americano. A Blockchain Association e o Crypto Council for Innovation (CCI) rejeitaram o pedido da American Bankers Association (ABA), que buscava alterações na recém-aprovada lei das stablecoins, conhecida como GENIUS Act.
Em uma carta direcionada à liderança do Comitê Bancário do Senado, os grupos de criptomoedas afirmaram que as mudanças propostas pela ABA e outras 52 entidades bancárias representam uma tentativa de “reimaginar a linguagem” já estabelecida em lei. Segundo eles, isso poderia enfraquecer os avanços conquistados no campo regulatório.
“Alterar as disposições já consagradas na Lei GENIUS seria imprudente e enfraqueceria fundamentalmente uma estrutura legislativa projetada para incentivar a concorrência e democratizar os benefícios do avanço tecnológico nas finanças digitais”, destacaram na carta. Ainda acrescentaram que qualquer revisão poderia gerar “consequências indesejadas para o ecossistema de ativos digitais”.
Os bancos argumentam que a atual versão da lei não é clara quanto às proibições de pagamento de juros sobre stablecoins. Segundo a ABA, a ausência de mecanismos mais rígidos poderia permitir que corretoras e empresas afiliadas oferecessem retornos aos detentores de tokens, transformando-os em instrumentos de crédito em vez de apenas meios de pagamento.
Além disso, o Bank Policy Institute e outras associações financeiras alertaram para riscos de liquidez e crédito ligados à emissão de stablecoins com remuneração. Essas preocupações foram reforçadas em um documento enviado após a sanção presidencial da lei, assinada no mês passado pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump.
Em contrapartida, os defensores das criptomoedas argumentam que os ajustes buscados pelo setor bancário apenas consolidariam a dominância das instituições financeiras tradicionais, limitando a competitividade.
“Isso é especialmente importante para consumidores com acesso limitado a serviços bancários, que dependem cada vez mais de carteiras digitais para pagamentos e como reserva de valor”, disseram as associações. Para eles, restringir tais funcionalidades no setor cripto e permitir no setor bancário “inclinaria o jogo em favor de instituições tradicionais, especialmente bancos maiores, que rotineiramente não conseguem oferecer retornos competitivos e privam os consumidores de opções significativas”.












