- 43% dos fundos de hedge planejam integrar DeFi até 2028
- Tokenização e eficiência atraem capital institucional para criptoativos
- Regulação mais clara impulsiona adoção de finanças descentralizadas
De acordo com o Relatório Global de Fundos de Hedge de Criptomoedas de 2025, elaborado pela AIMA e PwC, 43% dos fundos de hedge tradicionais que já possuem ativos digitais pretendem se integrar às finanças descentralizadas (DeFi) nos próximos três anos. Essa expansão será feita principalmente por meio de fundos e ativos tokenizados, além do engajamento direto com plataformas on-chain.
O levantamento, que analisou 122 gestores e investidores com quase US$ 1 trilhão em ativos sob gestão, mostra que 55% dos fundos de hedge tradicionais já possuem alguma exposição a criptomoedas, frente aos 47% em 2024. Entre os fundos que investem em cripto, 71% planejam aumentar suas alocações no próximo ano.
O DeFi deixou de ser um experimento periférico e passou a ser parte estratégica das gestoras institucionais. O interesse está nos ganhos de eficiência proporcionados pela liquidação instantânea, pela programabilidade de garantias e pela transparência das operações on-chain. “As infraestruturas descentralizadas podem fazer coisas que os sistemas centralizados não conseguem”, destacam analistas do estudo.
Os derivativos continuam sendo o principal instrumento de exposição a criptoativos para fundos tradicionais, usados por 67% das gestoras. O relatório destaca o episódio de 10 de outubro, quando um flash crash liquidou mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas — enquanto corretoras descentralizadas mantiveram estabilidade. Essa resiliência reforçou o argumento de que o DeFi pode oferecer liquidez contínua e mercados abertos 24 horas.
O movimento institucional também é estimulado pela evolução regulatória. Nos Estados Unidos, o “Projeto Cripto” da SEC e a Carta Interpretativa 1183 do OCC criaram estruturas legais que permitem custódia e liquidação de ativos digitais. A aprovação da Lei GENIUS, que regula stablecoins, completou o ambiente de supervisão que antes era incerto.
Apesar disso, a incerteza jurídica ainda é o principal obstáculo à adoção, citada por 72% dos entrevistados. Mesmo entre os que planejam integrar o DeFi, 21% ainda o consideram “irrelevante” para seus modelos de negócio. Ainda assim, gestores macro e fundos menores lideram o interesse, apostando que a tokenização e as finanças descentralizadas se tornarão parte essencial da infraestrutura financeira global.














