- BitRiver enfrenta falência e pressão regulatória na Rússia
- Fundador preso por sonegação fiscal afeta mineração de bitcoin
- Setor de mineração busca diversificação pós-halving
Igor Runets, fundador da BitRiver, maior empresa de mineração de bitcoin da Rússia, foi colocado em prisão domiciliar sob acusações de sonegação fiscal, segundo reportagem da Bloomberg. A detenção ocorreu na sexta-feira, e Runets enfrenta três acusações relacionadas à suposta ocultação de bens com o objetivo de reduzir o pagamento de impostos.
A equipe jurídica do executivo ainda pode recorrer da decisão antes que a medida entre plenamente em vigor. Caso o recurso não seja apresentado ou seja rejeitado, Runets deverá permanecer em prisão domiciliar durante todo o andamento do processo, de acordo com informações do veículo russo RBC.
Com 39 anos, Runets é considerado um dos pioneiros da indústria de mineração de criptomoedas na Rússia. Ele fundou a BitRiver em 2017 e expandiu rapidamente a operação para 15 data centers, reunindo mais de 175 mil servidores e alcançando uma capacidade instalada de 533 megawatts. Em 2022, a empresa foi sancionada pelos Estados Unidos após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o que restringiu o acesso a clientes e parceiros internacionais.
Para efeito de comparação, a MARA Holdings, uma das maiores mineradoras de bitcoin dos Estados Unidos, opera com cerca de 1,8 gigawatts de capacidade. Ainda assim, a BitRiver chegou a controlar mais da metade da capacidade industrial de mineração de bitcoin no território russo em seu auge.
Formado em MBA pela Universidade de Stanford, Runets iniciou seu primeiro centro de dados na Sibéria, aproveitando o clima frio e os custos de energia mais baixos. Com a forte valorização do bitcoin em 2021, quando o preço ultrapassou os US$ 62 mil, conforme dados da CoinDesk, a mineração tornou-se altamente lucrativa, atraindo clientes da Ásia, Europa e América do Norte.
No entanto, a situação da empresa se agravou. O jornal Kommersant informou que a BitRiver enfrenta um pedido de insolvência após uma subsidiária do Grupo En+ alegar a não entrega de equipamentos de mineração pagos antecipadamente. A ação judicial envolve um pedido de indenização superior a US$ 9,2 milhões e levou ao congelamento de contas, o que pode comprometer as operações.
O processo ocorre em meio a dívidas crescentes com energia, disputas contratuais e a saída de executivos-chave. Analistas avaliam que um eventual colapso da BitRiver pode acelerar a consolidação da mineração de bitcoin na Rússia, além de estimular a migração de data centers para serviços de IA e computação em nuvem após o recente halving reduzir as margens do setor.














