- Franklin Templeton integra fundos ao ecossistema blockchain
- Fundos de mercado monetário aptos a stablecoins
- Gestores tradicionais adotam liquidez tokenizada
A Franklin Templeton realizou atualizações em dois fundos institucionais do mercado monetário com o objetivo de torná-los compatíveis com infraestruturas baseadas em blockchain. A iniciativa reflete o movimento crescente de grandes gestores de ativos em adaptar produtos tradicionais de caixa e liquidez para ambientes tokenizados, sem alterar estruturas regulatórias já consolidadas.
As mudanças envolvem fundos administrados pela Western Asset Management, afiliada da Franklin Templeton. A proposta é permitir que investidores institucionais utilizem instrumentos financeiros conhecidos em sistemas de liquidação, registro e gestão de reservas que operam on-chain, incluindo estruturas ligadas a stablecoins regulamentadas.
Um dos produtos atualizados foi o Western Asset Institutional Treasury Obligations Fund. O fundo passou a atender aos critérios de reserva definidos pela Lei GENIUS dos Estados Unidos, sancionada em julho do ano passado. Essa legislação estabelece quais ativos podem ser utilizados como lastro para stablecoins regulamentadas no país.
Com a atualização, o fundo passou a manter exclusivamente títulos do Tesouro dos EUA com vencimento igual ou inferior a 93 dias. Essa característica torna o produto elegível para integração em estruturas de reserva de stablecoins, mantendo o perfil conservador típico dos fundos de mercado monetário voltados para instituições.
O segundo produto envolvido é o Western Asset Institutional Treasury Reserves Fund. Nesse caso, a principal novidade foi a criação de uma nova classe de ações institucionais digitais. Essa estrutura permite que intermediários autorizados façam o registro e a transferência da titularidade das cotas utilizando infraestrutura blockchain.
Apesar da adoção de novos mecanismos tecnológicos, o fundo continua operando como um fundo de mercado monetário tradicional. A diferença está na camada operacional, que passa a oferecer liquidação mais rápida, integração com sistemas de garantias digitais e soluções de gestão de caixa, além da possibilidade de transferências e liquidações em regime contínuo, 24 horas por dia.
A Franklin Templeton destacou que a estratégia não envolve o lançamento de fundos nativos de criptomoedas. A prioridade é facilitar a adoção da infraestrutura on-chain por investidores institucionais por meio de produtos já familiares, reduzindo barreiras operacionais e de conformidade.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor financeiro. Bancos e gestores globais vêm optando por levar produtos tradicionais para ambientes tokenizados, em vez de criar novos veículos exclusivamente voltados a criptomoedas. Recentemente, outras instituições financeiras também avançaram nesse sentido ao estruturar fundos de mercado monetário com registros e liquidação baseados em blockchain.
Essas iniciativas indicam que a tokenização de ativos de caixa e liquidez vem sendo tratada como uma extensão natural da infraestrutura financeira existente, conectando mercados tradicionais a sistemas digitais de forma gradual e compatível com as exigências regulatórias atuais.













