- Mineração de Bitcoin pressiona crise energética no Paquistão
- FMI contesta subsídios e falhas regulatórias em criptomoedas
- Infraestrutura frágil inviabiliza mineração de Bitcoin no país
O recente anúncio do governo do Paquistão sobre a alocação de 2.000 megawatts de energia para mineração de Bitcoin gerou fortes críticas por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI), que vê a medida como financeiramente e tecnicamente inviável. O país enfrenta sérias dificuldades no setor energético, com apagões frequentes e tarifas industriais elevadas, ao mesmo tempo em que mantém negociações delicadas para obter apoio financeiro do FMI.
BREAKING: 🇵🇰IMF raises concerns over Pakistan’s decision to allocate 2,000 megawatts of electricity for #Bitcoin mining and AI data centers.
IMF asks clarification on the legality of crypto mining and power allocation amid Pakistan’s energy crisis and fiscal pressures. pic.twitter.com/zzISEXPgwq
— Crypto India (@CryptooIndia) May 31, 2025
Mesmo com a tentativa de posicionar o Paquistão como um hub para ativos digitais e inteligência artificial, a proposta é vista como um risco operacional. A tarifa média de eletricidade industrial gira em torno de US$ 0,22 por kWh, tornando o custo estimado de mineração de cada Bitcoin superior a US$ 130 mil, bem acima da média global. A proposta de subsídio para baixar essa tarifa a US$ 0,09 por kWh também foi criticada. “Esses subsídios podem não ser sustentáveis. Os acordos do Paquistão com o FMI desencorajam explicitamente subsídios generalizados à energia”, alertou a engenheira de energia Sana Zakir.
O plano foi apresentado durante a conferência Bitcoin Vegas 2025, como parte da inauguração da primeira reserva nacional de Bitcoin. No entanto, a execução foi considerada precipitada, especialmente pela ausência de consultas prévias ao FMI e pelas lacunas legais na regulamentação das criptomoedas no país. A criação da Autoridade de Ativos Digitais do Paquistão (PDAA), encarregada de supervisionar corretoras e projetos DeFi, também levantou preocupações quanto à sua legitimidade institucional e operacional.
O Paquistão tem recursos como mão de obra acessível e potencial para energia renovável, mas ainda carece de uma base sólida de infraestrutura e clareza regulatória para sustentar projetos dessa magnitude. A tentativa de se inserir no mercado de criptomoedas sem resolver essas fragilidades internas ameaça comprometer a credibilidade do país diante de instituições financeiras internacionais.













