- OFAC bloqueia 19 entidades ligadas a golpes de criptomoedas
- Golpe “açougue de porcos” usado para fraudar investidores
- Rede criminosa do Sudeste Asiático gerou perdas acima de US$ 10 bi
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, anunciou novas sanções contra uma rede de golpes de criptomoedas no Sudeste Asiático. A medida, revelada nesta segunda-feira, atinge nove entidades em Shwe Kokko, em Mianmar, e outras dez localizadas no Camboja, todas vinculadas a operações fraudulentas.
Segundo o comunicado, apenas em 2023 os EUA registraram mais de US$ 10 bilhões em perdas decorrentes desses esquemas, um aumento de 66% em relação ao ano anterior. O subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, John K. Hurley, destacou a gravidade da situação: “A indústria de golpes cibernéticos do Sudeste Asiático não apenas ameaça o bem-estar e a segurança financeira dos americanos, mas também sujeita milhares de pessoas à escravidão moderna”.
O OFAC informou que os grupos utilizam falsas ofertas de emprego, servidão por dívidas, violência e até ameaças de prostituição forçada para recrutar indivíduos e forçá-los a aplicar golpes. Uma das modalidades mais comuns é o chamado golpe do “açougue de porcos”, no qual criminosos fingem interesse romântico para conquistar a confiança das vítimas e induzi-las a investir em plataformas fraudulentas de criptomoedas.
Com as sanções, todas as propriedades e interesses de pessoas e entidades listadas ficam bloqueados dentro dos EUA ou sob posse de cidadãos norte-americanos. O comunicado ainda reforça que quaisquer companhias controladas por indivíduos sancionados também entram automaticamente na lista de bloqueio.
Em maio, outro órgão do Tesouro, a Rede de Repressão a Crimes Financeiros (FinCEN), havia apontado o Grupo Huione, do Camboja, como uma das principais organizações ligadas à lavagem de dinheiro. O grupo teria atuado em operações de hackers norte-coreanos e em golpes de criptomoedas originados no Sudeste Asiático, motivo pelo qual a FinCEN recomendou cortar seu acesso ao sistema financeiro dos EUA.
Essas ações reforçam o esforço do governo americano em endurecer medidas contra redes criminosas que exploram criptomoedas para fraude e lavagem de dinheiro, além de utilizar práticas de exploração humana em larga escala.














