Os Estados Unidos iniciaram uma nova ofensiva militar contra o Irã na madrugada desta quarta-feira, ampliando a pressão sobre Teerã após o atual presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que os bombardeios poderão se intensificar nos próximos dias caso não haja avanço nas negociações diplomáticas. A escalada aumenta a preocupação dos mercados globais e reforça os receios sobre os impactos do conflito no Oriente Médio.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que a operação começou por volta das 6h (horário da costa leste americana). Segundo os militares, os ataques tiveram como foco reduzir a capacidade das forças iranianas de realizar ações contra embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
Mais tarde, o Centcom afirmou que a missão foi concluída cerca de uma hora e meia depois. De acordo com o comunicado, munições de precisão atingiram sistemas de defesa costeira, além de instalações utilizadas para armazenamento e lançamento de mísseis de cruzeiro na ilha de Greater Tunb, localizada no Golfo Pérsico, próxima ao Estreito de Ormuz.
A nova operação ocorre depois de outros bombardeios realizados pelos Estados Unidos nos últimos dias. Em resposta, o Irã intensificou ataques contra diversos países da região do Golfo, ampliando o risco de uma deterioração ainda maior da segurança regional.
Na noite de terça-feira, Trump indicou que pretende manter a ofensiva caso não haja mudanças na postura iraniana. “Vamos atacá-los com muita força esta noite”, disse ele. “Vamos atacá-los com força amanhã à noite. Vamos atacá-los com muita força depois de amanhã.”
O presidente norte-americano também afirmou que a próxima fase poderá atingir infraestrutura considerada estratégica. “Na próxima semana a situação fica realmente ruim para eles, porque na próxima semana serão as usinas elétricas”, disse ele. “Na próxima semana serão as pontes. Vamos destruir todas as usinas elétricas deles. Vamos destruir todas as pontes deles, a menos que eles se sentem à mesa de negociações.”
Nos últimos dias, Trump chegou a defender a criação de uma taxa de 20% sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz, mas posteriormente recuou da proposta. Segundo ele, investimentos dos países do Golfo nos Estados Unidos poderiam compensar parte dos custos relacionados ao conflito.
A intensificação dos ataques acontece poucas semanas após os Estados Unidos realizarem bombardeios contra dezenas de alvos iranianos em resposta a ações contra navios comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz. Posteriormente, Trump declarou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã havia "terminado".
A instabilidade também repercutiu no mercado internacional de energia. Os contratos futuros do petróleo Brent permaneceram acima de US$ 85 por barril, enquanto operadores acompanham possíveis impactos sobre o fluxo de petróleo pela região.
Para Jakob Larsen, diretor de segurança da BIMCO, a sucessão de anúncios e mudanças de posicionamento aumenta a dificuldade de avaliação dos riscos. “Todas essas mensagens indo e vindo, mudando completamente de direção, só aumentam a confusão e a complexidade de toda a situação”, disse ele. “Se você se afastar e olhar para isso de uma perspectiva mais ampla, o cenário geral que estamos observando é de maior incerteza, maiores riscos e, com isso, preços mais altos.”
Especialistas em relações internacionais também avaliam que o conflito pode se estender por um longo período. O professor Mike Rosenberg afirmou que as perspectivas para um acordo permanecem limitadas e que nenhuma das partes parece disposta a abrir mão de seus objetivos no curto prazo.
Já Andreas Böhm considera que a ausência de uma estratégia clara aumenta a possibilidade de uma guerra prolongada. Segundo ele, a solução mais provável dependerá de novas negociações diplomáticas, embora reconheça que esse caminho tenha se tornado significativamente mais difícil após a retomada dos confrontos militares.

