Os embarques dos chips de inteligência artificial H200 da Nvidia para a China e Hong Kong começaram a ser retomados, mas ainda em um volume bastante reduzido, segundo afirmou nesta terça-feira (14) o subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança dos Estados Unidos, Jeffery Kessler.
Durante uma audiência no Congresso norte-americano, Kessler declarou que apenas uma pequena quantidade de chips foi autorizada para exportação.
"Muito poucas remessas referentes às licenças para o H200 e produtos equivalentes foram realizadas. É uma quantidade muito pequena de chips", afirmou o representante do Departamento de Comércio.
A declaração sinaliza que as licenças de exportação voltaram a ser concedidas, o que pode representar um avanço para a Nvidia em um dos maiores mercados globais de inteligência artificial.
Nos últimos meses, a fabricante vinha adotando uma postura cautelosa em relação ao mercado chinês. Desde o ano passado, a empresa deixou de incluir qualquer expectativa de receita proveniente da China em suas projeções financeiras. Em maio, o CEO Jensen Huang chegou a afirmar que os investidores não deveriam esperar contribuições relevantes das vendas para o país.
A Nvidia preferiu não comentar as declarações do governo americano.
A empresa enfrenta restrições impostas por Washington desde o agravamento da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Grande parte de seus aceleradores de IA passou a depender de autorização especial para exportação, devido às preocupações do governo americano de que esses componentes possam ser utilizados em aplicações militares ou estratégicas.
Segundo Kessler, cada solicitação de licença é analisada individualmente. As empresas interessadas precisam cumprir exigências de segurança nacional e aceitar inspeções para garantir que os chips sejam utilizados conforme as regras estabelecidas.
O subsecretário também destacou que algumas solicitações continuam sendo rejeitadas pelo governo dos EUA.
Embora as licenças estejam sendo concedidas de forma limitada, ainda não há garantia de que a China permitirá a importação em larga escala dos chips H200. Caso o acesso aos produtos da Nvidia permaneça restrito, empresas chinesas deverão continuar recorrendo a fabricantes locais para treinar modelos de inteligência artificial, mesmo que essas alternativas ainda sejam consideradas menos competitivas em desempenho.
O H200 pertence à arquitetura Hopper, uma geração anterior de aceleradores da Nvidia. Enquanto isso, empresas dos Estados Unidos já utilizam os chips da família Blackwell, considerados mais avançados e com desempenho significativamente superior para cargas de trabalho voltadas à inteligência artificial.

