- Etiópia busca parceiros globais para mineração de Bitcoin
- País já controla 2,5% do hash rate global
- Energia barata impulsiona mineração de criptomoedas
A Etiópia deu um novo passo em sua estratégia para o setor de criptomoedas ao anunciar planos para lançar um projeto estatal de mineração de Bitcoin. A iniciativa prevê a busca por parceiros globais capazes de aportar capital, tecnologia e conhecimento técnico, ampliando a participação direta do governo na geração de receitas digitais.
O anúncio foi feito durante a conferência Finance Forward Ethiopia 2026, quando autoridades confirmaram que a Ethiopian Investment Holdings, empresa estatal do país, está liderando a estruturação do projeto. O primeiro-ministro Abiy Ahmed explicou que o objetivo é trabalhar com parceiros experientes em mineração de Bitcoin, reduzindo a dependência exclusiva de operadores privados e garantindo maior retenção de valor dentro da economia nacional.
JUST IN: 🇪🇹 Prime Minister of Ethiopia says they are looking for an investment partner to mine #Bitcoin
The race is on 🚀
— Bitcoin Magazine (@BitcoinMagazine) January 19, 2026
Segundo o governo, a proposta representa uma mudança na abordagem em relação às criptomoedas. A mineração de Bitcoin passa a ser vista como um ativo estratégico, ligado à política econômica e ao aproveitamento eficiente da infraestrutura energética do país. A expectativa é que o projeto gere receitas diretas ao Estado e contribua para o fortalecimento das capacidades técnicas locais.
A Etiópia já ocupa uma posição relevante no setor. Atualmente, o país abriga 25 mineradoras de Bitcoin devidamente licenciadas, responsáveis por cerca de 2,5% do poder de hash global da rede. Esse desempenho coloca a Etiópia como o principal polo de mineração de Bitcoin do continente africano, mesmo sem um projeto estatal formalizado até o momento.
Um dos principais atrativos para a mineração local é o custo reduzido e a estabilidade da eletricidade, em grande parte proveniente da Grande Barragem do Renascimento Etíope. A disponibilidade de energia em larga escala permitiu que empresas privadas gerassem mais de US$ 200 milhões em receitas, demonstrando o potencial econômico da atividade.
O plano de mineração estatal está alinhado à estratégia Etiópia Digital 2030, que busca integrar tecnologias como blockchain, pagamentos digitais e sistemas modernos de dados ao desenvolvimento econômico do país. Além de ampliar a mineração de Bitcoin, a estratégia prevê a criação de um ecossistema tecnológico mais robusto, capaz de atrair investimentos e desenvolver mão de obra especializada.
Ao assumir um papel mais ativo na mineração de Bitcoin, o governo pretende utilizar excedentes energéticos, ampliar receitas em moeda digital e consolidar a Etiópia como referência africana no setor de criptomoedas. Caso o modelo avance conforme planejado, a iniciativa pode servir como referência para outros países interessados em converter recursos energéticos em crescimento econômico digital.












