- ETFs de bitcoin registram maior saída líquida desde janeiro
- Bitcoin perde suporte após tensão entre EUA e Irã
- BlackRock lidera retiradas em ETFs de criptomoedas
Os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram na segunda-feira a maior saída líquida diária desde janeiro, em meio ao aumento da pressão macroeconômica sobre os mercados financeiros. Ao todo, os fundos movimentaram saídas de US$ 648,6 milhões, ampliando o fluxo negativo observado na semana anterior.
Os dados mostram que sete ETFs encerraram o dia no vermelho, aprofundando o movimento de retirada iniciado após seis semanas consecutivas de entradas positivas. O recuo ocorre em um momento de maior cautela entre investidores institucionais diante da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e das incertezas envolvendo inflação e política monetária.
O maior volume de retiradas foi registrado no IBIT, da BlackRock, que perdeu US$ 448,3 milhões em um único dia. Na sequência apareceu o ARKB, da Ark & 21Shares, com saídas de US$ 109,6 milhões.
O FBTC, da Fidelity, também apresentou fluxo negativo, totalizando US$ 63,4 milhões. Fundos ligados à Bitwise, VanEck, Invesco e Franklin Templeton completaram a lista de ETFs com retiradas no período.
“As saídas de capital dos ETFs de Bitcoin refletem uma aversão ao risco institucional de curto prazo, impulsionada pela realização de lucros e pela incerteza macroeconômica”, disse Dominick John, analista da Zeus Research.
“As instituições permanecem ativas, mas de forma mais tática, usando ETFs como ferramentas de liquidez para gerenciar a exposição. Os fluxos agora dependem das taxas de juros e da volatilidade, com o capital permanecendo à margem.”
A pressão sobre o mercado aumentou após o bitcoin cair abaixo da faixa de US$ 77 mil durante o fim de semana. O movimento foi acompanhado pela alta do petróleo e pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, fatores que elevaram as preocupações com inflação persistente.
Segundo John, os rendimentos mais altos dos Treasuries americanos passaram a oferecer alternativas mais atrativas para investidores institucionais, reduzindo temporariamente o apetite por ativos de maior volatilidade, como o bitcoin.
“O Bitcoin está em uma fase de consolidação em meio à volatilidade macroeconômica, mantendo uma importante zona de suporte em torno de US$ 76.000 a US$ 77.000”, afirmou o analista.
“Enquanto isso, as principais stablecoins, lideradas por USDT e USDC, expandiram sua capitalização de mercado, sinalizando um acúmulo de liquidez reprimida e um posicionamento para potenciais oportunidades de compra em quedas, caso o preço retorne a níveis-chave.”
Outros analistas do mercado avaliam que o bitcoin ainda mantém uma estrutura positiva no longo prazo, apesar da pressão recente nos ETFs e do aumento da volatilidade nos mercados globais.
“A volatilidade de curto prazo permanece alta, mas essa queda parece ser uma consolidação saudável em uma tendência de alta mais ampla”, disse Andri Fauzan Adziima, líder de pesquisa do Bitrue Research Institute.
Investidores seguem atentos aos próximos sinais do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, principalmente em relação às taxas de juros, inflação e liquidez global.












