A recente queda do Bitcoin para a faixa de US$ 58.100 chamou a atenção do mercado e revelou comportamentos bastante distintos entre grandes investidores e participantes de varejo. Dados on-chain mostram que, enquanto as chamadas baleias seguem reduzindo exposição, pequenos investidores continuam aumentando suas posições durante a correção dos preços.
Levantamento da Santiment aponta que as carteiras com saldo entre 10 e 10.000 BTC diminuíram suas participações combinadas em 0,37% desde 15 de junho. O movimento indica que grandes detentores continuam realizando vendas ou permanecem cautelosos diante das condições atuais do mercado.
Em sentido oposto, as carteiras com menos de 0,01 BTC ampliaram suas reservas em 0,51% no mesmo período. Esse comportamento demonstra que investidores de menor porte continuam aproveitando a queda para comprar Bitcoin, apostando em uma recuperação futura.
Segundo a Santiment, essa diferença de comportamento costuma ser um indicador relevante para acompanhar o sentimento do mercado. Os investidores de varejo parecem acreditar que os preços estão próximos de um fundo e seguem "tratando a queda como uma oportunidade de compra", enquanto as baleias "se recusam a entrar no mercado por enquanto".
A empresa observa que o mercado pode precisar de mais tempo para consolidar uma mínima consistente antes de iniciar uma recuperação mais ampla. Historicamente, fases de valorização mais sustentadas costumam ganhar força quando os grandes detentores voltam a acumular Bitcoin.
Outra análise, realizada por Ali Martinez, identificou um sinal on-chain pouco frequente que apareceu apenas em momentos importantes da história do Bitcoin. Atualmente, cerca de 10,45 milhões de BTC estão sendo mantidos com prejuízo, enquanto aproximadamente 9,60 milhões permanecem em lucro.
Esta é a primeira vez no atual ciclo que a quantidade de Bitcoin em prejuízo supera a oferta em lucro. Para Martinez, isso indica que boa parte da especulação excessiva foi eliminada do mercado, deixando uma estrutura mais semelhante às observadas antes de grandes recuperações.
O analista relembra que esse mesmo padrão apareceu em 2011, 2014, 2018 e também durante a forte correção de março de 2020. Em todos esses períodos, a inversão antecedeu ciclos de valorização do Bitcoin, embora o intervalo entre o sinal e a recuperação tenha variado de algumas semanas a vários meses.
De acordo com Martinez, a atual inversão começou em junho de 2026 e continua ativa. Embora o histórico mostre que esse tipo de configuração pode permanecer por um período prolongado, o analista considera que o Bitcoin entrou em uma zona de acumulação de alta convicção, marcada por menor excesso especulativo e por uma redistribuição gradual das posições entre grandes investidores e participantes de varejo.

