- Governança da Aave entra em disputa por financiamento recorde
- Auditoria questiona gastos e transparência da Aave Labs
- Token holders analisam proposta “Aave Will Win”
A governança do protocolo de finanças descentralizadas Aave entrou em um novo momento de tensão após a publicação de uma auditoria crítica pela Aave Chan Initiative, liderada por Marc Zeller. O documento foi divulgado pouco antes da votação de uma proposta que pode liberar até US$ 51 milhões em financiamento para a Aave Labs.
A análise foi apresentada como uma revisão do histórico de entregas, custos e retorno associado à equipe de desenvolvimento. Segundo a publicação, a Labs teria recebido cerca de US$ 86 milhões ao longo dos anos, somando recursos do ICO de 2017, rodadas de capital de risco, pagamentos diretos da DAO e receitas de taxas que, de acordo com a ACI, não passaram por aprovação formal.
“Com a divulgação do relatório da proposta de investimento de US$ 51 milhões ‘Aave Will Win’ amanhã, confira nossa auditoria do desempenho da Aave Labs e dos aproximadamente US$ 86 milhões em financiamento que eles receberam até o momento”,
escreveu a iniciativa em publicação no X.
Entre as críticas centrais está a alegação de falta de um relatório detalhado de prestação de contas, com discriminação clara entre gastos e resultados. O documento também questiona a transparência financeira e afirma que os detentores de tokens deveriam avaliar o histórico antes de aprovar o maior pedido de financiamento já apresentado ao protocolo.
A auditoria dedicou atenção especial ao projeto Horizon, voltado a ativos do mundo real (RWA). Embora o mercado apresente volumes elevados de oferta, a análise sugere que a atividade efetiva é mais concentrada do que aparenta. Dados on-chain indicariam forte dependência de stablecoins, concentração em poucos usuários e predominância de um único ativo entre os RWAs.
Outro ponto levantado envolve a eficiência econômica do projeto. Segundo a estimativa apresentada, a receita acumulada da DAO no coletor da Horizon estaria próxima de US$ 216 mil, enquanto incentivos e custos operacionais somariam milhões, resultando em um perfil aproximado de “US$ 24 gastos para cada US$ 1 ganho”.
O relatório também reabriu discussões sobre o fluxo de taxas na interface aave.com. A publicação afirma que cerca de US$ 5,5 milhões em receitas de parceiros teriam sido redirecionadas após mudanças de integração, sem votação da governança.
As críticas surgem em um momento delicado para o ecossistema, que já enfrenta debates sobre poder de decisão e distribuição de incentivos. A tensão aumentou após o anúncio da saída da BGD Labs, principal equipe de engenharia responsável por grande parte das atualizações recentes, prevista para ocorrer após o término do contrato em abril.
Enquanto a proposta “Aave Will Win” avança para votação, a comunidade analisa os dados apresentados e o histórico de contribuições, em um processo que pode influenciar o rumo da governança e a estrutura operacional do protocolo nos próximos anos.













