A Hyperliquid e a Robinhood estão entre as empresas mais bem posicionadas para liderar o próximo ciclo de crescimento das criptomoedas. Essa é a avaliação de Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, que acredita que a integração entre o sistema financeiro tradicional e a infraestrutura blockchain deverá impulsionar uma nova fase para o setor.
Em um memorando divulgado ao mercado, Hougan explicou que o próximo mercado de alta pode apresentar características diferentes dos ciclos anteriores. Segundo ele, o avanço tende a ser sustentado pelo aumento da atividade financeira, da geração de receitas e da adoção institucional, em vez de depender principalmente da especulação.
Na avaliação do diretor da Bitwise, essa transformação será impulsionada pela expansão das stablecoins, da tokenização de ativos, das negociações disponíveis 24 horas por dia, da liquidação quase instantânea e da evolução das finanças descentralizadas voltadas ao mercado institucional.
Hougan divide os principais beneficiários dessa mudança em dois grupos. O primeiro reúne protocolos nativos de criptomoedas que conseguem transformar o crescimento de suas plataformas em valor para seus tokens. O segundo engloba empresas tradicionais do setor financeiro que passaram a desenvolver produtos diretamente sobre redes blockchain.
Entre os protocolos, a Hyperliquid foi citada como o principal destaque. A blockchain de camada 1 ganhou espaço inicialmente com sua bolsa descentralizada de contratos futuros perpétuos, mas ampliou sua atuação para mercados ligados a ativos tradicionais, incluindo commodities e índices de ações.
Segundo Hougan, a Hyperliquid superou US$ 1 bilhão em receita acumulada até junho e tem potencial para gerar aproximadamente US$ 800 milhões ao longo deste ano. O executivo destacou ainda que 99% da receita do protocolo é destinada à recompra de tokens HYPE no mercado aberto.
Para o diretor da Bitwise, esse modelo resolve uma deficiência observada em diversos protocolos de criptomoedas, que conseguem aumentar volume de negociações e receitas sem criar demanda proporcional por seus próprios tokens. Ele também mencionou Uniswap, Aave e Morpho como exemplos de projetos que vêm fortalecendo a relação entre a utilização da plataforma e a valorização de seus ativos.
No segmento das empresas tradicionais, Hougan destacou a Robinhood como uma das companhias mais avançadas na adoção da infraestrutura blockchain.
A corretora lançou sua Robinhood Chain em 1º de julho. A rede de camada 2 foi desenvolvida com tecnologia Arbitrum para oferecer serviços financeiros e suportar ativos tokenizados do mundo real.
Além disso, a empresa disponibilizou tokens vinculados a ações por meio de sua carteira de autocustódia para usuários de mais de 120 países, respeitando as restrições regulatórias locais. Os investidores qualificados podem negociar esses ativos durante 24 horas por dia e acessar aplicações descentralizadas, como Uniswap e Lighter.
Esses produtos consistem em títulos de dívida tokenizados que oferecem exposição econômica às ações correspondentes, mas não concedem direitos legais nem participação acionária aos investidores. Eles também não estão disponíveis para usuários nos Estados Unidos.
De acordo com Hougan, a Robinhood Chain atraiu mais de US$ 300 milhões em depósitos e registrou cerca de 3,6 milhões de transações diárias nas duas primeiras semanas após o lançamento. Na visão do executivo, esses resultados podem incentivar outras instituições financeiras a acelerar projetos de blockchain em escala comercial.
Além da Hyperliquid e da Robinhood, Hougan afirmou que empresas como Coinbase, Figure, BlackRock, Visa, Stripe e JPMorgan também possuem posição estratégica na expansão da infraestrutura financeira baseada em blockchain.
O diretor da Bitwise observou ainda que o Bitcoin acumulava valorização de 9% desde 1º de julho, enquanto o Nasdaq 100 registrava queda de 6% no mesmo período. Segundo ele, a melhora dos fluxos para ETFs de Bitcoin e a evolução do sentimento dos investidores sugerem que o mercado de criptomoedas pode estar formando uma base mais sólida para um novo ciclo de crescimento, apoiado por maior adoção institucional e receitas recorrentes.

