- Deputado suíço propõe Bitcoin na constituição
- Projeto quer BNS mantendo BTC em reservas
- Iniciativa popular exige 100 mil assinaturas
O deputado suíço Samuel Kullmann ganhou destaque ao defender uma proposta para inserir o Bitcoin na constituição da Suíça. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar explicou que trabalha com sua equipe para criar uma “iniciativa popular” que permitiria aos cidadãos votarem na exigência de que o Banco Nacional Suíço (BNS) mantenha parte de suas reservas em BTC.
Esse mecanismo de iniciativa popular é parte do sistema democrático suíço e possibilita à população propor mudanças diretas na constituição, desde que sejam reunidas pelo menos 100.000 assinaturas válidas. Kullmann descreveu o instrumento como uma “ferramenta de defesa”, capaz de pressionar políticos a adotar medidas apoiadas pela sociedade.
🇨🇭 SWITZERLAND MP JUST ANNOUNCED PLANS TO ESTABLISH A STRATEGIC #BITCOIN RESERVE
HERE WE GO!! pic.twitter.com/9DkBVZzrd3
— Vivek Sen (@Vivek4real_) October 27, 2025
O interesse do deputado em políticas relacionadas ao Bitcoin não é recente. Em 2021, ele já havia declarado ser “muito ativo em sua posição pró-Bitcoin” no parlamento. Em novembro de 2024, Kullmann liderou uma moção no Cantão de Berna para estudar o uso da mineração de Bitcoin como solução de estabilização energética. A proposta foi aprovada por ampla maioria, com 85 votos a favor e 46 contrários.
Apesar da mobilização política crescente, o Banco Nacional Suíço segue contrário à ideia de manter criptomoedas em sua reserva. Em março de 2025, seu governador, Martin Schlegel, reiterou que o BNS não considera incorporar ativos digitais, citando riscos de volatilidade e desafios regulatórios. Segundo o executivo, as reservas devem apoiar políticas monetárias e, em sua visão, o Bitcoin não atende a esse propósito.
Mesmo diante da rejeição do banco central, instituições financeiras suíças vêm adotando criptomoedas em seus serviços. O Luzerner Kantonalbank tornou-se o primeiro banco universal do país a permitir que clientes usem BTC e ETH como garantia em empréstimos. Bancos como Sygnum e Swissquote também ampliaram sua atuação, aceitando ativos como garantias para linhas de crédito e ETFs baseados em criptos.
No cenário internacional, o acúmulo de reservas em Bitcoin por governos cresce gradualmente. Dados globais indicam que os Estados Unidos são o maior detentor do ativo com 326.588 BTC, seguidos pela China. Entre os países europeus, apenas Reino Unido, Finlândia, Alemanha e Bulgária possuem BTC em tesouraria estatal até o momento, enquanto a Suíça discute se dará o próximo passo com apoio direto de sua população.












