- Credores contestam moção da FTX em tribunal dos EUA
- Criptomoedas são consideradas propriedade pessoal na China
- Proposta da FTX afeta pagamentos em 49 países
Um grupo de credores, liderado por Weiwei Ji, contestou judicialmente a moção do espólio da FTX que visa suspender pagamentos a residentes de países com restrições legais às transações com criptomoedas. Segundo o documento apresentado ao Tribunal de Falências dos EUA em Delaware, Ji afirma representar mais de 300 credores chineses, apesar de residir atualmente em Singapura. Seu passaporte chinês foi o critério usado para classificá-lo como credor da China.
Na objeção apresentada, Ji argumenta que os pagamentos feitos pela FTX são denominados em dólares americanos, uma moeda amplamente aceita e fora do alcance das proibições locais sobre ativos digitais. Ele também destaca que, na China, criptomoedas são consideradas uma forma de propriedade pessoal, o que legitima a distribuição de valores.
“Minha família possui quatro contas verificadas por KYC com reivindicações agregadas superiores a US$ 15 milhões… Cumprimos integralmente todos os requisitos processuais do Plano. A moção proposta agora coloca em risco nosso direito à distribuição de forma arbitrária e injusta”, afirmou Ji no documento.
A proposta apresentada pelo FTX Estate foi registrada em 2 de julho e aponta riscos legais relacionados à realização de pagamentos em jurisdições com leis restritivas sobre criptomoedas. A empresa citou 49 países, incluindo China, Rússia, Ucrânia, Egito, Tunísia, Zimbábue, Afeganistão e Moldávia, onde regulamentações locais poderiam expor executivos e representantes legais a penalidades civis e até criminais.
Como exemplo, o espólio da FTX mencionou a Moldávia, onde é crime prestar serviços envolvendo ativos virtuais, mesmo que de forma auxiliar a outra atividade.
Desde 18 de fevereiro, o FTX Estate iniciou os reembolsos para os credores classificados na “classe de conveniência”, com base na cotação dos ativos digitais em novembro de 2022, momento do colapso da corretora. A política adotada gerou descontentamento entre diversos credores, especialmente os afetados pelas novas restrições propostas.














