- Coreia do Sul aperta supervisão sobre criptomoedas
- FSS mira manipulação de mercado e baleias cripto
- Novas regras para exchanges e ativos digitais
A Coreia do Sul está preparando um novo ciclo de fiscalização sobre o mercado de criptomoedas, com foco em práticas que possam distorcer preços e prejudicar investidores. A iniciativa parte do Serviço de Supervisão Financeira (FSS), que anunciou um reforço nas ações regulatórias ao longo do ano.
O plano faz parte da agenda política anual do órgão e surge após episódios recentes que levantaram preocupações sobre falhas operacionais e riscos à integridade do mercado. Além das criptomoedas, instituições financeiras tradicionais também estarão sujeitas a punições mais severas por problemas ligados à infraestrutura de tecnologia da informação.
No segmento cripto, a FSS pretende conduzir investigações direcionadas a atividades consideradas prejudiciais à ordem do mercado. Entre os alvos estão grandes investidores, conhecidos como baleias, suspeitos de influenciar preços de forma artificial por meio de movimentações expressivas.
Também entram no radar estratégias que envolvem a valorização artificial de tokens cujos depósitos e saques estejam temporariamente suspensos em determinadas exchanges. Esse tipo de prática pode limitar a capacidade de reação dos usuários e ampliar distorções de preço.
Outro ponto de atenção envolve o uso de ordens automatizadas via APIs para manipulação de mercado, além da disseminação de informações falsas em redes sociais. Segundo o regulador, essas táticas podem gerar movimentos abruptos e descolados dos fundamentos dos projetos.
A intensificação da supervisão ocorre pouco depois de um incidente de grande repercussão envolvendo a Bithumb, uma das maiores exchanges de criptomoedas do país. A plataforma transferiu por engano 620.000 BTC, valor estimado em cerca de US$ 44 bilhões, para centenas de usuários durante uma ação promocional, conseguindo recuperar a maior parte dos ativos posteriormente.
Paralelamente, a FSS também estruturou uma força-tarefa dedicada à implementação da Lei Básica de Ativos Digitais. A proposta integra a segunda fase do arcabouço regulatório para criptomoedas no país e deve estabelecer diretrizes mais claras para emissão de tokens, processos de listagem em exchanges e revisão de licenças de empresas do setor.
A legislação ainda deve incluir regras específicas para emissores de stablecoins, ampliando o controle sobre diferentes frentes do mercado de ativos digitais. A versão final do projeto é esperada para o primeiro trimestre, consolidando uma nova etapa na regulação de criptomoedas na Coreia do Sul.














